A Tokio Marine Holdings, Inc. (TSE: 8766), maior grupo de seguros de ramos elementares (não-vida) do Japão por valor de mercado, divulgou em 20 de maio de 2026 seu comunicado de resultados consolidados (Kessan Tanshin) do FY3/2026 sob as normas contábeis japonesas (J-GAAP). No exercício, a receita ordinária (keijo shueki) subiu 5,1% na comparação anual, para ¥8.872,2 bilhões, sustentada por receita de subscrição de ¥6.527,9 bilhões (prêmios líquidos emitidos de ¥5.566,3 bilhões, +4,9%) e receita de investimentos de ¥1.984,5 bilhões. O lucro ordinário, porém, recuou 7,6% para ¥1.348,6 bilhões, e o lucro atribuível aos acionistas da controladora caiu 7,1% para ¥980,4 bilhões (ante ¥1.055,2 bilhões). O LPA básico ficou em ¥515,55, abaixo dos ¥542,16. O ROE foi de 18,7% (ante 20,6%) e a margem de lucro ordinário sobre a receita ordinária foi de 15,2%. O resultado abrangente recuperou-se para ¥962,1 bilhões, ante ¥449,4 bilhões, com a normalização dos ganhos não realizados com valores mobiliários e da conversão cambial.
Visão por segmento: o internacional salva o ano
Por segmento, o negócio não-vida doméstico apresentou receita ordinária de ¥3.790,2 bilhões (-¥96,2 bilhões) e lucro ordinário de ¥744,4 bilhões (-¥148,8 bilhões), refletindo sinistros maiores e índices de custo elevados. O negócio de vida doméstico registrou receita ordinária de ¥796,1 bilhões (+¥156,7 bilhões), mas o lucro ordinário caiu fortemente para ¥23,6 bilhões (-¥46,5 bilhões). O negócio de seguros internacionais — motor de crescimento do grupo — gerou receita ordinária de ¥4.599,8 bilhões (+¥290,0 bilhões) e lucro ordinário de ¥559,0 bilhões (+¥70,5 bilhões), impulsionado tanto pelas operações norte-americanas quanto pelas demais operações no exterior. O negócio de Soluções & Outros (renomeado neste período de "Financeiro & Outros") contribuiu com ¥21,4 bilhões em lucro de segmento. O crescimento dos prêmios líquidos emitidos foi liderado pelos ramos de incêndio (+4,2%), marítimo (+7,3%) e automóvel (+7,5%).
Por que o lucro líquido caiu: ganhos realizados menores, custos de crédito maiores
A queda do lucro na comparação anual decorreu de ganhos menores na venda de valores mobiliários (¥713,2 bilhões, ante ¥842,2 bilhões), perdas maiores na venda de valores mobiliários (¥471,8 bilhões, ante ¥295,1 bilhões), aumento das perdas por impairment de valores mobiliários para ¥13,2 bilhões (ante ¥1,1 bilhão) e alta de 17,8% nas despesas operacionais, gerais e administrativas, para ¥1.650,6 bilhões. Entre os itens extraordinários estão perdas por impairment de ¥4,0 bilhões, uma transferência de ¥8,9 bilhões para a reserva de flutuação de preços e perdas com a alienação de ativos imobilizados de ¥5,8 bilhões. Os ganhos extraordinários de ¥7,9 bilhões vieram de ganhos com a alienação de ativos imobilizados, sem reconhecimento de ágio negativo neste ano (ante ¥3,3 bilhões no ano anterior).
M&A estratégica: Ignyte e Agrihedge somam ¥253 bilhões em especialidades nos EUA
Duas aquisições remodelaram a plataforma de especialidades nos EUA. Em outubro de 2025, o grupo adquiriu 100% da Riser Topco III, LLC e três afiliadas (Ignyte Insurance) por meio da Philadelphia Insurance por ¥102,8 bilhões, gerando ¥52,6 bilhões de ágio (goodwill) mais ¥42,4 bilhões em intangíveis (rede de distribuição e marcas, amortização em 20 anos), mirando o mercado norte-americano de seguros de carros de colecionador. Em janeiro de 2026, o grupo adquiriu a Agrihedge, Inc. (CIH), provedora norte-americana de soluções de risco de preços agrícolas, por ¥150,0 bilhões, reconhecendo ¥73,1 bilhões de ágio e ¥100,1 bilhões em intangíveis (sobretudo direitos de renovação de contratos, amortização em 9 anos). A operação amplia a franquia de seguro agrícola da HCC com capacidades baseadas em tarifas e não relacionadas a seguros.
Balanço, fluxo de caixa, dividendo elevado a ¥218
O ativo total ficou em ¥31.961,9 bilhões (+¥724,5 bilhões), o patrimônio líquido alcançou ¥5.457,5 bilhões (+¥354,0 bilhões) e o índice de capital próprio melhorou para 17,0%, ante 16,3%. O valor patrimonial por ação subiu para ¥2.885,44, ante ¥2.640,27. O fluxo de caixa operacional foi de ¥584,2 bilhões (queda em relação aos ¥1.345,0 bilhões, devido sobretudo a ¥483,5 bilhões em pagamentos de impostos e à movimentação de capital de giro); o fluxo de caixa de investimentos foi positivo em ¥639,7 bilhões; e as atividades de financiamento consumiram ¥624,2 bilhões (¥251,5 bilhões em recompras de ações em tesouraria mais ¥375,7 bilhões em pagamentos de dividendos). O caixa e equivalentes encerraram em ¥2.085,0 bilhões. O dividendo anual subiu para ¥218,00 por ação (¥105,50 de intermediário + ¥112,50 de final), ante ¥172,00 no FY2025/3, equivalendo a um índice de distribuição consolidado de 42,3%.
Eventos subsequentes: aliança com a Berkshire, colocação de ¥287 bilhões, recompra de ¥200 bilhões
As ações posteriores ao período são incomumente grandes. O grupo anunciou uma parceria estratégica abrangente com a National Indemnity Company (subsidiária integral da Berkshire Hathaway Inc.), incluindo investimento estratégico, colaboração em resseguros e iniciativas conjuntas de M&A. Uma colocação privada de 48.207.200 ações em tesouraria foi concluída em 13 de abril de 2026, a ¥5.962 por ação, captando ¥287,4 bilhões. Para compensar a diluição, o conselho aprovou recompras de ações de até ¥287,4 bilhões (abril–setembro de 2026); além disso, em 20 de maio de 2026, o conselho aprovou uma recompra adicional de até 130 milhões de ações e ¥200,0 bilhões, executável de 21 de maio a 23 de dezembro de 2026.
Projeção do FY27 sob IFRS: ¥830 bilhões de lucro, ¥245 de dividendo
Para o FY3/2027, a empresa projeta lucro atribuível aos acionistas de ¥830,0 bilhões, alta de 56,2% na comparação anual, com LPA básico de ¥441,83. É importante notar que a projeção do FY27 é apresentada sob IFRS, normas que o grupo adotará voluntariamente a partir do relatório de valores mobiliários do FY26 para aprimorar a comparabilidade internacional — a taxa de crescimento é calculada em relação aos resultados do FY3/2026 reapresentados em IFRS (não auditados). A projeção pressupõe sinistros líquidos incorridos com catástrofes naturais domésticas de ¥105,0 bilhões e no exterior de ¥95,0 bilhões, com taxas de mercado, câmbio e preços de ações amplamente estáveis em relação ao fim de março de 2026. A projeção de dividendo é de ¥245,00 por ação (¥122,50 de intermediário + ¥122,50 de final).
| Indicador | FY3/2026 | FY3/2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita ordinária (¥ bilhões) | 8.872,2 | 8.440,1 | +5,1% |
| Prêmios líquidos emitidos (¥ bilhões) | 5.566,3 | 5.305,4 | +4,9% |
| Lucro ordinário (¥ bilhões) | 1.348,6 | 1.459,4 | −7,6% |
| Lucro líquido atribuível aos acionistas (¥ bilhões) | 980,4 | 1.055,2 | −7,1% |
| LPA básico (¥) | 515,55 | 542,16 | −4,9% |
| ROE | 18,7% | 20,6% | −1,9pp |
| Ativo total (¥ bilhões) | 31.961,9 | 31.237,4 | +2,3% |
| Índice de capital próprio | 17,0% | 16,3% | +0,7pp |
| Dividendo anual (¥) | 218,00 | 172,00 | +26,7% |
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