Receita sobe 6,0% mesmo após a saída do negócio de supermercados
A Anabuki Kosan Inc. (TSE: 8928), incorporadora de condomínios residenciais cujo grupo também opera negócios de recursos humanos, operação de instalações, cuidados a idosos, energia e viagens, divulgou em 12 de agosto de 2026 seus resultados consolidados do exercício de 1º de julho de 2025 a 30 de junho de 2026, pelas normas contábeis japonesas. A receita subiu 6,0%, para 138.877 milhões de ienes, o lucro operacional 25,8%, para 7.157 milhões, o lucro ordinário 36,9%, para 7.689 milhões e o lucro atribuível aos proprietários da controladora 24,2%, para 4.621 milhões, o que equivale a 433,28 ienes por ação, contra 348,98.
A comparação da receita traz uma mudança de perímetro. Em 1º de julho de 2025, primeiro dia do exercício, a empresa vendeu todas as ações da subsidiária consolidada que operava seu negócio de supermercados, e o segmento de Varejo foi extinto. Um ano antes, esse segmento havia registrado vendas externas de 7.596 milhões e prejuízo de segmento de 193 milhões. O grupo acrescentou assim 7.904 milhões de receita mesmo abrindo mão de um negócio de tamanho quase igual, e todos os seis segmentos restantes aumentaram suas vendas.
A margem bruta recuou; despesas gerais menores sustentaram o lucro operacional
O ganho de lucro não veio da margem bruta. O custo dos produtos vendidos subiu 7,1%, para 112.141 milhões, mais que a receita, de modo que o lucro bruto avançou apenas 1,9%, para 26.735 milhões, e a margem bruta caiu de 20,0% para 19,3%. O que moveu a linha operacional foram as despesas comerciais, gerais e administrativas, que caíram 4,7%, para 19.577 milhões, ante 20.541 milhões. Essa redução de 964 milhões, somada a 503 milhões a mais de lucro bruto, explica o aumento de 1.467 milhões do lucro operacional, e a margem operacional passou de 4,3% para 5,2%. O documento não explica a queda dessas despesas; ela coincide com a saída do negócio de supermercados, mas a empresa não relaciona os dois fatos.
Abaixo da linha operacional: ganho cambial, reversão de provisão e juros mais altos
O lucro ordinário cresceu mais que o operacional porque o saldo não operacional passou de uma despesa líquida de cerca de 71 milhões para uma receita líquida de cerca de 531 milhões. As demonstrações mostram um ganho cambial de 455 milhões, contra perda de 33 milhões um ano antes, e uma reversão da provisão para devedores duvidosos de 384 milhões, contra 49 milhões, compensados em parte pela queda das receitas de subvenções para 563 milhões, ante 750 milhões, e pela alta de 28,2% das despesas de juros, para 1.034 milhões. Os itens extraordinários subtraíram em seguida 166 milhões líquidos: ganhos de 175 milhões, quase todos com vendas de ativo imobilizado, contra perdas de 342 milhões, incluindo perdas por redução ao valor recuperável de 223 milhões, perda de 57 milhões na venda de ações de coligadas e baixa de 53 milhões em títulos de investimento.
O lucro antes de impostos foi de 7.523 milhões, alta de 35,1%, mas os impostos sobre o lucro subiram 56,3%, para 2.886 milhões, elevando a alíquota efetiva para cerca de 38%, ante cerca de 33%; por isso o lucro atribuível aos controladores cresceu uns mais modestos 24,2%. O resultado abrangente foi de 4.817 milhões, alta de 27,2%.
O imobiliário responde pela receita; energia e instalações, pelo crescimento do lucro
O Imobiliário, segmento principal, elevou as vendas externas em 12,1%, para 103.511 milhões, mas o lucro do segmento apenas 2,6%, para 5.593 milhões. As unidades novas reconhecidas como receita caíram 5,9%, para 1.739, e os contratos 3,2%, para 1.595, enquanto a empresa entregou 11 edifícios residenciais de aluguel inteiros da série Glorio, que desenvolve principalmente na região metropolitana de Tóquio, contra 10. Ela descreve a demanda de investidores por imóveis para renda como forte, graças ao turismo receptivo e ao iene fraco, e o mercado de apartamentos novos como ainda exigindo cautela por causa dos preços elevados, das altas esperadas nos juros de financiamento imobiliário e dos custos maiores de terrenos e construção. No encerramento, já havia 1.470 unidades contratadas para receita no EF6/2027 ou depois, e o estoque concluído não vendido era de apenas 15 unidades, todas em projetos compartilhados com outras incorporadoras. O negócio de compra e revenda de apartamentos usados detinha 1.117 unidades, 1,6% a menos.
Os segmentos menores se moveram com mais força. Energia, que fornece eletricidade a condomínios por meio da compra conjunta em alta tensão, elevou as vendas em 17,3%, para 9.576 milhões, e passou de um prejuízo de 70 milhões para um lucro de segmento de 815 milhões, ajudada pelo maior consumo de energia por fatores climáticos, pelos custos de aquisição menores e por encomendas de obras elétricas; atende agora 62.025 unidades em 952 edifícios. Operação de instalações, liderada por hotéis e áreas de serviço de rodovias, aumentou as vendas em 14,5%, para 8.843 milhões, e mais que triplicou o lucro, para 325 milhões, com o documento citando a Expo 2025 de Osaka-Kansai e a Trienal de Setouchi 2025. Serviços de recursos humanos cresceu 8,0% em vendas, para 6.405 milhões, e 52,6% em lucro, para 414 milhões, e Cuidados a idosos e serviços médicos cresceu 9,5% em vendas, para 7.644 milhões, e 23,6% em lucro, para 238 milhões, em 39 unidades com 1.783 quartos. Turismo elevou as vendas em 7,3%, para 2.259 milhões, mas passou a um prejuízo de 2 milhões, ante lucro de 39 milhões, com a alta dos custos de transporte e hospedagem.
A formação de estoques consumiu caixa, e o endividamento a financiou
O ativo total subiu 6,1%, para 157.214 milhões, em 30 de junho de 2026, principalmente porque os imóveis destinados à venda aumentaram 5.655 milhões, para 48.125 milhões; os imóveis em construção também subiram, para 62.803 milhões, ante 58.814 milhões. O patrimônio líquido cresceu 9,4%, para 47.764 milhões, e o índice de capital próprio melhorou de 29,4% para 30,3%. O fluxo de caixa operacional foi uma saída de 4.537 milhões, contra entrada de 55 milhões, sobretudo pelo aumento de 9.718 milhões nos estoques; as atividades de investimento consumiram 1.642 milhões, principalmente em aportes de capital, e as de financiamento trouxeram 5.525 milhões, principalmente de empréstimos de longo prazo. O caixa encerrou o exercício em 6.635 milhões, 336 milhões a menos.
Projeção: lucro operacional maior e lucro líquido menor sem o ganho cambial
Para o EF6/2027, a empresa projeta receita de 145.000 milhões (+4,4%), lucro operacional de 7.700 milhões (+7,6%), lucro ordinário de 7.000 milhões (−9,0%) e lucro atribuível aos controladores de 4.500 milhões (−2,6%), ou 421,87 ienes por ação. Ela atribui as quedas esperadas do lucro ordinário e do lucro líquido principalmente ao ganho cambial de 455 milhões registrado no EF6/2026. O lucro ordinário projetado fica 700 milhões abaixo do lucro operacional projetado, o que implica a volta de uma despesa não operacional líquida após a receita líquida deste ano.
O dividendo anual do EF6/2026 foi elevado para 78,00 ienes, ante 58,00, sendo 32,00 ienes intermediários e 46,00 ienes no fim do exercício, com índice de payout de 18,0%, contra 16,6%, e pagamento previsto a partir de 30 de setembro de 2026. Para o EF6/2027, a empresa projeta 80,00 ienes, divididos em 40,00 e 40,00, com índice de payout de 19,0%.
| Indicador | EF6/2026 | EF6/2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita (milhões de ¥) | 138.877 | 130.973 | +6,0% |
| Lucro bruto (milhões de ¥) | 26.735 | 26.232 | +1,9% |
| Margem bruta | 19,3% | 20,0% | −0,7 p.p. |
| Despesas comerciais e administrativas (milhões de ¥) | 19.577 | 20.541 | −4,7% |
| Lucro operacional (milhões de ¥) | 7.157 | 5.690 | +25,8% |
| Margem operacional | 5,2% | 4,3% | +0,9 p.p. |
| Lucro ordinário (milhões de ¥) | 7.689 | 5.618 | +36,9% |
| Lucro antes de impostos (milhões de ¥) | 7.523 | 5.567 | +35,1% |
| Lucro líquido atribuível aos controladores (milhões de ¥) | 4.621 | 3.722 | +24,2% |
| Resultado abrangente (milhões de ¥) | 4.817 | 3.788 | +27,2% |
| LPA (¥) | 433,28 | 348,98 | +24,2% |
| Imobiliário — receita (milhões de ¥) | 103.511 | 92.363 | +12,1% |
| Imobiliário — lucro do segmento (milhões de ¥) | 5.593 | 5.453 | +2,6% |
| Serviços de recursos humanos — receita (milhões de ¥) | 6.405 | 5.932 | +8,0% |
| Serviços de recursos humanos — lucro do segmento (milhões de ¥) | 414 | 271 | +52,6% |
| Operação de instalações — receita (milhões de ¥) | 8.843 | 7.725 | +14,5% |
| Operação de instalações — lucro do segmento (milhões de ¥) | 325 | 96 | +237,0% |
| Cuidados a idosos e serviços médicos — receita (milhões de ¥) | 7.644 | 6.982 | +9,5% |
| Cuidados a idosos e serviços médicos — lucro do segmento (milhões de ¥) | 238 | 192 | +23,6% |
| Energia — receita (milhões de ¥) | 9.576 | 8.165 | +17,3% |
| Energia — lucro do segmento (milhões de ¥) | 815 | −70 | de prejuízo a lucro |
| Turismo — receita (milhões de ¥) | 2.259 | 2.106 | +7,3% |
| Turismo — lucro do segmento (milhões de ¥) | −2 | 39 | de lucro a prejuízo |
| Ativos totais (milhões de ¥) | 157.214 | 148.139 | +6,1% |
| Patrimônio líquido (milhões de ¥) | 47.764 | 43.653 | +9,4% |
| Índice de patrimônio líquido | 30,3% | 29,4% | +0,9 p.p. |
| Fluxo de caixa operacional (milhões de ¥) | −4.537 | 55 | n.s. |
| Projeção EF6/2027 — receita (milhões de ¥) | 145.000 | — | +4,4% |
| Projeção EF6/2027 — lucro operacional (milhões de ¥) | 7.700 | — | +7,6% |
| Projeção EF6/2027 — lucro ordinário (milhões de ¥) | 7.000 | — | −9,0% |
| Projeção EF6/2027 — lucro líquido (milhões de ¥) | 4.500 | — | −2,6% |
| Projeção EF6/2027 — LPA (¥) | 421,87 | — | −2,6% |
| Dividendo anual por ação (¥) | 80,00 | 78,00 | +2,6% |
| Dividendo anual por ação, EF6/2026 (¥) | 78,00 | 58,00 | +34,5% |
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