Lucro em todos os níveis, diante de um trimestre de comparação que não é homogêneo
A THE WHY HOW DO COMPANY, Inc. (TSE: 3823), grupo sediado em Tóquio que define fusões e aquisições (M&A) como o eixo principal de seu crescimento e que hoje reúne negócios de soluções, serviços ligados a alimentação, educação, entretenimento e estilo de vida, divulgou em 14 de setembro de 2026 seus resultados consolidados do primeiro trimestre, os três meses de 1º de maio a 31 de julho de 2026, pelas normas contábeis japonesas. O documento indica a Bolsa de Tóquio como local de listagem. A receita subiu 107,6%, para ¥1.674 milhões; o lucro operacional foi de ¥91 milhões contra prejuízo de ¥125 milhões, o lucro ordinário de ¥77 milhões contra prejuízo de ¥134 milhões e o lucro atribuível aos controladores de ¥37 milhões contra prejuízo de ¥156 milhões, ou ¥0,25 por ação contra prejuízo de ¥1,23. Nas palavras da própria empresa, o grupo passou ao azul em todas as etapas da demonstração de resultados.
A comparação precisa ter seu contexto explicado logo de início. Uma assembleia geral extraordinária realizada em 24 de março de 2026 mudou o encerramento do exercício de agosto para abril. O primeiro trimestre do ano anterior abrange, portanto, de 1º de setembro a 30 de novembro de 2025, um conjunto diferente de meses, e o exercício recém-encerrado foi um período de transição de oito meses, de 1º de setembro de 2025 a 30 de abril de 2026. Por isso a empresa não analisa seus segmentos contra o trimestre do ano anterior, e sua projeção anual não traz variações percentuais anuais. O número de +107,6% na receita é da própria empresa, mas compara um trimestre de verão com um de outono; pela mesma razão, na tabela de dados a coluna de variação dos segmentos aparece como não significativa.
Aquisições dobraram a receita; o custo das vendas cresceu ainda mais
O documento atribui o crescimento da receita a quatro empresas adquiridas no exercício anterior: Stillan, negócio de casamentos do segmento Estilo de vida; Goodman, que vende e fabrica instrumentos de medição e de detecção de vazamentos para manutenção de infraestrutura, em Soluções; Iiyama Doken, empreiteira de obras civis e pavimentação; e Kowell, que projeta, vende, aluga e faz a manutenção de iluminação LED. Iiyama Doken e Kowell foram adquiridas perto do fim do exercício anterior, de modo que este é o primeiro trimestre em que contribuem integralmente. O custo das vendas cresceu mais rápido que a receita, 136,4%, para ¥797 milhões, de modo que o lucro bruto aumentou 86,9%, para ¥877 milhões, e a margem bruta caiu de 58,2% para 52,4%. O documento não comenta a margem bruta.
A virada aconteceu abaixo do lucro bruto. As despesas com vendas, gerais e administrativas subiram 32,2%, para ¥786 milhões, bem menos que a receita, o que reduziu seu peso de 73,7% para 46,9% da receita. Essa mudança levou a linha operacional de um prejuízo de ¥125 milhões a um lucro de ¥91 milhões, com margem operacional de 5,5%. A contabilização das aquisições aparece nos custos: a depreciação foi de ¥26,4 milhões contra ¥15,4 milhões, e a amortização do ágio de ¥37,9 milhões contra ¥9,2 milhões.
Abaixo da linha operacional: custos financeiros, baixa de criptoativos e carga tributária elevada
As receitas não operacionais somaram ¥22,6 milhões, em sua maior parte uma reversão de ¥18,5 milhões da provisão para devedores duvidosos. As despesas não operacionais foram maiores, de ¥36,4 milhões: juros de ¥10,0 milhões contra ¥5,3 milhões, custos de emissão de ações de ¥9,1 milhões, perda cambial de ¥7,7 milhões, perda de ¥5,4 milhões na avaliação de criptoativos e perda de ¥1,9 milhão no resgate de debêntures. O lucro ordinário ficou, assim, em ¥77 milhões. Os itens extraordinários foram pequenos desta vez, com ganhos de ¥5,4 milhões e perdas de ¥0,4 milhão, enquanto o trimestre do ano anterior havia registrado ¥61,2 milhões de ganhos, sobretudo ¥42,2 milhões com a venda de ativos imobilizados, e ¥57,5 milhões de perdas, sobretudo ¥53,5 milhões de despesas ligadas a um processo de recuperação civil. O lucro antes dos impostos foi de ¥82,7 milhões e os impostos de ¥41,8 milhões, cerca da metade; após ¥3,9 milhões atribuíveis aos não controladores, restaram ¥37 milhões à controladora. Os outros resultados abrangentes foram negativos em ¥10,9 milhões, deixando um resultado abrangente de ¥30 milhões.
Os indicadores ajustados da empresa
O documento também divulga três medidas não GAAP definidas pela própria empresa, sem números do ano anterior. O EBITDA ajustado foi de ¥165 milhões, definido como lucro operacional mais depreciação, constituição de provisões, transferências de outras contas, amortização de ágio e intangíveis e custos relacionados a M&A. O lucro operacional ajustado foi de ¥139 milhões, o lucro operacional mais a amortização de ágio e intangíveis e os custos de M&A, e o lucro líquido ajustado de ¥93 milhões, ou ¥0,63 por ação, com o mesmo critério aplicado ao lucro atribuível aos controladores. Os custos de M&A incluem honorários de intermediação, advogados, due diligence, assessoria financeira, avaliação e integração pós-aquisição, tarifas de financiamento e tarifas relacionadas a ações; no lucro líquido ajustado, incluem também custos lançados abaixo da linha operacional. A empresa apresenta um EBITDA ajustado de ¥1 bilhão como meta de médio prazo.
Soluções e Estilo de vida sustentam o grupo; um prejuízo aparece agora em Outros
Soluções foi o maior segmento, com receita de ¥785 milhões contra ¥86 milhões no trimestre do ano anterior e lucro do segmento de ¥145 milhões contra ¥15 milhões. Ele ainda abriga os negócios de software originais — um sistema de gestão de aparelhos de demonstração para lojas de telefonia móvel, jogos sociais e aplicativos, e produtos de IoT —, mas a abertura da receita mostra como eles são pequenos hoje: os serviços de conteúdo renderam ¥31 milhões e as plataformas ¥12 milhões, enquanto a linha que abrange Goodman, Kowell e desenvolvimento sob encomenda rendeu ¥734 milhões. Estilo de vida registrou receita de ¥565 milhões contra ¥479 milhões e lucro do segmento de ¥37 milhões contra ¥77 milhões. O segmento combina a venda e o aluguel de máquinas de bronzeamento e os cosméticos da Sunrise Japan, o negócio de casamentos da Stillan no oeste de Shizuoka e as obras civis, a pavimentação e a remoção de neve da Iiyama Doken em Iiyama (Nagano). A empresa diz que os casamentos se mantiveram firmes e que a Iiyama Doken contribuiu integralmente; não explica o lucro menor do segmento, e os dois trimestres cobrem meses diferentes.
Entretenimento registrou receita de ¥275 milhões contra ¥195 milhões e lucro do segmento de ¥45 milhões contra ¥4 milhões. Combina produção musical e shows em torno do músico Tetsuya Komuro, incluindo receitas de fã-clube e de direitos autorais, com um negócio de brinquedos em cápsula na Dream Planet, onde a empresa diz estar ampliando gradualmente o número de máquinas. Educação, que oferece cursos de TI de cerca de seis meses para pessoas em busca de emprego em Shinjuku e Yokohama, registrou receita de ¥41 milhões contra ¥33 milhões e lucro de ¥8 milhões contra ¥6 milhões; a empresa observa que a melhora do mercado de trabalho reduziu o número de vagas disponíveis. Alimentação, hoje um negócio de gestão de marcas e de sublocação de um único ponto, registrou receita de ¥2 milhões contra ¥9 milhões. Esses números por segmento incluem vendas entre segmentos.
Os totais dos segmentos não se conciliam com o lucro operacional da mesma forma que um ano antes. Os segmentos reportáveis lucraram ¥238 milhões contra ¥106 milhões. A categoria Outros, fora dos segmentos reportáveis, registrou prejuízo de ¥105 milhões com receita de ¥3 milhões, contra lucro de ¥1 milhão, enquanto os ajustes de conciliação encolheram para −¥41 milhões, ante −¥233 milhões. Dentro desses ajustes, as despesas corporativas não alocadas caíram para ¥4,2 milhões, ante ¥226,1 milhões, e a amortização do ágio subiu para ¥37,9 milhões, ante ¥9,2 milhões. O documento afirma que não houve mudança nos segmentos reportáveis e não explica o deslocamento entre Outros e as despesas corporativas, de modo que o lucro por segmento não deve ser lido como comparável entre os dois trimestres.
Nota sobre continuidade operacional retirada; o ágio supera um quarto dos ativos
O documento retira o alerta sobre a continuidade operacional que a empresa vinha mantendo. O grupo havia registrado prejuízo operacional em todos os exercícios desde o encerrado em agosto de 2009, exceto o encerrado em agosto de 2018, e no período de oito meses até 30 de abril de 2026 teve prejuízo operacional de ¥502 milhões e prejuízo líquido de ¥929 milhões. Citando lucro em todos os níveis neste trimestre, índice de patrimônio líquido de 32,4% e caixa e depósitos de ¥1.435 milhões, a empresa concluiu que essas condições não existem mais e retirou a nota, em comunicado separado divulgado no mesmo dia. As demonstrações trimestrais não foram revisadas por auditor, e não foi elaborada demonstração dos fluxos de caixa do trimestre.
Os ativos totais eram de ¥5.206 milhões em 31 de julho de 2026, ¥124 milhões abaixo de 30 de abril, principalmente porque o caixa e os depósitos caíram ¥112 milhões. O passivo recuou ¥272 milhões, para ¥3.473 milhões, com empréstimos ¥146 milhões menores e fornecedores e outras contas a pagar ¥50 milhões menores cada. O patrimônio líquido subiu ¥147 milhões, para ¥1.732 milhões: o exercício de bônus de subscrição acrescentou ¥59 milhões tanto ao capital social quanto às reservas de capital, uma troca de ações para a compra de mais ações da Kowell adicionou outros ¥41,5 milhões às reservas de capital, e o lucro do trimestre fez o resto. O índice de patrimônio líquido subiu de 28,9% para 32,4%, e as ações emitidas passaram de 145.416.193 para 150.169.693. O ágio somava ¥1.429 milhões, 27,5% dos ativos totais. Diante de empréstimos concedidos de longo prazo de ¥1.224 milhões e de recebíveis de longo prazo de ¥252 milhões há uma provisão para devedores duvidosos de ¥1.259 milhões, e o balanço ainda inclui ¥144 milhões de dívidas sujeitas a um plano de recuperação.
Projeção mantida, sem comparação anual e sem dividendos
A projeção anual do EF4/2027, os doze meses de 1º de maio de 2026 a 30 de abril de 2027, segue inalterada em relação aos números divulgados em 15 de junho de 2026: receita de ¥6.259 milhões, lucro operacional de ¥165 milhões, lucro operacional ajustado de ¥349 milhões e EBITDA ajustado de ¥464 milhões. Não há projeção de lucro ordinário nem de lucro líquido, e nenhuma variação anual é informada porque o período anterior durou oito meses. O primeiro trimestre entregou 26,7% da receita projetada, mas 55,2% do lucro operacional projetado, 39,8% do lucro operacional ajustado e 35,6% do EBITDA ajustado. A projeção implica, portanto, apenas cerca de ¥74 milhões de lucro operacional nos nove meses restantes, e o documento não explica por que ela foi mantida. Não houve dividendos no EF4/2026 e nenhum é previsto para o EF4/2027; a empresa diz que dará prioridade ao financiamento de investimentos dentro de sua estratégia centrada em M&A.
| Indicador | 1T EF4/2027 | 1T EF4/2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita (milhões de ¥) | 1.674 | 806 | +107,6% |
| Lucro bruto (milhões de ¥) | 877 | 469 | +86,9% |
| Margem bruta | 52,4% | 58,2% | −5,8 p.p. |
| Despesas comerciais e administrativas (milhões de ¥) | 786 | 594 | +32,2% |
| Lucro operacional (milhões de ¥) | 91 | −125 | de prejuízo a lucro |
| Lucro ordinário (milhões de ¥) | 77 | −134 | de prejuízo a lucro |
| Lucro líquido atribuível aos controladores (milhões de ¥) | 37 | −156 | de prejuízo a lucro |
| LPA (¥) | 0,25 | −1,23 | de prejuízo a lucro |
| EBITDA ajustado (milhões de ¥) | 165 | — | — |
| Lucro operacional ajustado (milhões de ¥) | 139 | — | — |
| Lucro líquido ajustado (milhões de ¥) | 93 | — | — |
| Soluções — receita (milhões de ¥) | 785 | 86 | n.s. |
| Soluções — lucro do segmento (milhões de ¥) | 145 | 15 | n.s. |
| Alimentação — receita (milhões de ¥) | 2 | 9 | n.s. |
| Alimentação — lucro do segmento (milhões de ¥) | 1 | 2 | n.s. |
| Educação — receita (milhões de ¥) | 41 | 33 | n.s. |
| Educação — lucro do segmento (milhões de ¥) | 8 | 6 | n.s. |
| Entretenimento — receita (milhões de ¥) | 275 | 195 | n.s. |
| Entretenimento — lucro do segmento (milhões de ¥) | 45 | 4 | n.s. |
| Estilo de vida — receita (milhões de ¥) | 565 | 479 | n.s. |
| Estilo de vida — lucro do segmento (milhões de ¥) | 37 | 77 | n.s. |
| Ativos totais (milhões de ¥) | 5.206 | 5.331 | −2,3% |
| Patrimônio líquido (milhões de ¥) | 1.732 | 1.585 | +9,3% |
| Índice de patrimônio líquido | 32,4% | 28,9% | +3,5 p.p. |
| Projeção EF4/2027 — receita (milhões de ¥) | 6.259 | — | — |
| Projeção EF4/2027 — lucro operacional (milhões de ¥) | 165 | — | — |
| Projeção EF4/2027 — lucro operacional ajustado (milhões de ¥) | 349 | — | — |
| Projeção EF4/2027 — EBITDA ajustado (milhões de ¥) | 464 | — | — |
| Dividendo anual por ação (¥) | 0,00 | 0,00 | inalterado |
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