As vendas somaram ¥4.307 milhões; o lucro bruto, ¥185 milhões
A Cross Marketing Group Inc. (TSE: 3675), holding sediada em Tóquio cujas subsidiárias operam painéis de pesquisa de mercado no Japão e no exterior, ao lado de um negócio doméstico de promoção digital, publicou em 10 de agosto de 2026 os resultados consolidados do exercício completo EF6/2026 — de 1º de julho de 2025 a 30 de junho de 2026 — sob as normas contábeis japonesas. As vendas líquidas subiram 14,9%, para ¥33.204 milhões, mas o lucro operacional caiu 29,1%, para ¥1.790 milhões, o lucro ordinário 24,6%, para ¥1.809 milhões, e o lucro líquido atribuível aos controladores 41,3%, para ¥796 milhões. O lucro por ação foi de ¥41,19 ante ¥71,47, o retorno sobre o patrimônio líquido de 9,7% ante 18,0% e a margem operacional de 5,4% ante 8,7%.
Toda a queda do lucro operacional cabe em duas linhas da demonstração de resultados. O lucro bruto subiu apenas 1,7%, de ¥11.072 milhões para ¥11.257 milhões — ¥185 milhões a mais de lucro bruto sobre ¥4.307 milhões a mais de vendas, de modo que a margem bruta caiu de 38,3% para 33,9%. As despesas com vendas, gerais e administrativas subiram 10,7%, de ¥8.550 milhões para ¥9.467 milhões, um aumento de ¥918 milhões. Subtraia a segunda da primeira e a queda de ¥733 milhões do lucro operacional fica inteiramente explicada: nada abaixo da linha do lucro bruto e nada de excepcional é necessário. A amortização do ágio, que corre por essas despesas, foi de ¥314 milhões ante ¥257 milhões, ou seja, faz parte do aumento, mas apenas uma parte pequena dele.
O crescimento veio da metade do grupo com menor margem
O marketing digital elevou as vendas a clientes externos em 33,1%, para ¥16.670 milhões, e o lucro do segmento em 14,4%, para ¥1.030 milhões. Dentro dele, a promoção social e digital cresceu 42,1%, para ¥11.731 milhões, com o trabalho de marketing de influência e promoção de propriedades intelectuais, mais a primeira consolidação da DIGITALIO Inc. e da Startling (スタートリング); a consultoria de SI e DX cresceu 14,2%, para ¥2.421 milhões, com o desenvolvimento de sistemas existente praticamente estável e o aumento vindo da recém-consolidada Coum Inc.; e o marketing HR cresceu 17,5%, para ¥2.519 milhões. Pesquisa e insights, a metade mais antiga da companhia, elevou as vendas externas em apenas 1,0%, para ¥16.534 milhões, e viu o lucro do segmento cair 19,8%, para ¥3.067 milhões: as vendas domésticas subiram 2,3%, para ¥11.711 milhões, e as internacionais caíram 2,1%, para ¥4.823 milhões, com os Estados Unidos crescendo, mas Reino Unido, Índia e Indonésia enfrentando dificuldades. A companhia atribui essa queda ao faturamento externo estagnado e ao aumento das despesas administrativas.
A aritmética das margens decorre da tabela por segmentos, embora o documento não publique os índices. O marketing digital ganhou ¥1.030 milhões sobre ¥17.745 milhões de vendas do segmento, incluindo transferências internas, uma margem de 5,8%; pesquisa e insights ganhou ¥3.067 milhões sobre ¥17.189 milhões, uma margem de 17,8%, o triplo por iene. O marketing digital passou de 43,3% das vendas externas para 50,2% em um único ano, de modo que o mix do grupo se deslocou decididamente para o negócio que retém menos, e é por isso que um ano de vendas a 14,9% produziu um ano de lucro bruto a 1,7%. Os lucros por segmento reportados ainda somam ¥4.097 milhões; custos corporativos não alocados e eliminações entre segmentos de −¥2.307 milhões, ante −¥2.200 milhões, reduzem esse total aos ¥1.790 milhões da demonstração de resultados.
Abaixo do lucro operacional, o imposto fez o resto
O lucro ordinário caiu menos que o operacional porque os itens não operacionais viraram de um custo líquido de ¥123 milhões para um ganho líquido de ¥19 milhões. A virada é sobretudo cambial: uma perda cambial de ¥74 milhões tornou-se um ganho de ¥47 milhões. O exercício somou ainda ¥30 milhões de ganhos na venda de títulos, ¥33 milhões de restituições por cancelamento de seguros e ¥30 milhões pelo método da equivalência, contra ¥90 milhões de juros pagos (¥77 milhões um ano antes) e uma provisão para devedores duvidosos de ¥23 milhões. Os itens extraordinários custaram então ¥97 milhões líquidos: ganhos de ¥20 milhões — ¥16 milhões em aquisições em etapas e ¥3 milhões de ágio negativo — contra perdas de ¥117 milhões, das quais ¥62 milhões foram uma perda por impairment registrada integralmente no marketing digital, ¥50 milhões uma baixa de títulos e ¥3 milhões baixas de ativo imobilizado. O lucro antes de impostos ficou em ¥1.712 milhões, queda de 26,8%.
A distância entre uma queda de 26,8% antes de impostos e uma queda de 41,3% do lucro atribuível é o imposto. A despesa tributária foi de ¥916 milhões ante ¥982 milhões — apenas 6,6% menor sobre um lucro antes de impostos que caiu mais de um quarto. Dividindo um pelo outro chega-se a uma alíquota efetiva de 53,5% ante 42,0%; nenhum dos dois índices é publicado no documento, e é a maior razão isolada para a última linha ter caído quase o dobro da linha operacional. O resultado abrangente foi de ¥928 milhões, queda de 26,3%: ao lucro líquido somaram-se ¥133 milhões de outros resultados abrangentes — ¥140 milhões de variação cambial de operações no exterior menos ¥7 milhões de títulos disponíveis para venda.
Os ativos totais subiram 62,6% e o índice de capital próprio caiu 17,3 pontos
As consolidações remodelaram o balanço. Os ativos totais subiram 62,6%, de ¥16.421 milhões para ¥26.707 milhões, enquanto o patrimônio líquido subiu apenas 4,7%, para ¥8.366 milhões, de modo que o índice de capital próprio caiu de 48,6% para 31,3%. O ativo circulante subiu ¥9.677 milhões, para ¥22.547 milhões, com ¥11.478 milhões só em caixa e depósitos e ¥5.523 milhões em contas a receber. O passivo circulante subiu ¥8.586 milhões, para ¥14.003 milhões, e duas linhas que há um ano eram arredondamentos respondem por boa parte desse aumento: depósitos recebidos de ¥4.489 milhões ante ¥70 milhões e uma provisão para pontos de ¥448 milhões ante ¥76 milhões — a marca de um negócio de mídia promocional que retém saldos de clientes, chegada com as companhias recém-consolidadas. O ágio no balanço subiu para ¥1.506 milhões, ante ¥1.176 milhões, todo ele no marketing digital, e os empréstimos de longo prazo para ¥3.888 milhões, ante ¥2.666 milhões.
O fluxo de caixa é a curiosidade do exercício. O fluxo operacional foi de ¥1.854 milhões, próximo dos ¥1.956 milhões do ano anterior apesar do lucro antes de impostos bem menor, porque ¥264 milhões de depreciação, ¥314 milhões de amortização do ágio e os ¥62 milhões de impairment não afetam o caixa. O fluxo de investimento foi positivo, em ¥782 milhões, contra uma saída de ¥480 milhões — não porque o grupo tenha parado de investir, mas porque ¥1.825 milhões de empréstimos concedidos foram recebidos de volta, mais que suficientes para cobrir ¥596 milhões pagos na aquisição de uma subsidiária, ¥414 milhões de compras de títulos e ¥339 milhões de investimentos. O financiamento acrescentou ¥1.064 milhões, com ¥3.000 milhões de nova dívida de longo prazo contra ¥1.272 milhões de amortizações, ¥380 milhões de recompra de ações e ¥280 milhões de dividendos pagos. O caixa encerrou o exercício em ¥11.478 milhões, alta de ¥3.844 milhões.
A projeção pede uma recuperação de 39,7% no lucro operacional
Para o EF6/2027 a companhia planeja vendas líquidas de ¥40.000 milhões (+20,5%), lucro operacional de ¥2.500 milhões (+39,7%), lucro ordinário de ¥2.500 milhões (+38,2%) e lucro atribuível de ¥1.300 milhões (+63,4%), com lucro por ação de ¥67,30. O plano é aberto por segmento: marketing digital ¥23.000 milhões, alta de 38,0%, e pesquisa e insights ¥17.000 milhões, alta de 2,8%. A mudança de mix que o grupo acaba de absorver está, portanto, projetada para continuar e acelerar — o marketing digital terminaria o ano bem à frente de pesquisa e insights — enquanto o lucro operacional deve recuperar quase até os ¥2.523 milhões do EF6/2025. O documento não explica de onde vem essa recuperação de margem: não diz que o peso dos custos ligados às aquisições deixará de se repetir nem quantifica qualquer sinergia.
O dividendo do EF6/2026 é de ¥15,00 por ação (¥7,50 intermediário, ¥7,50 final), ¥1,00 acima dos ¥14,00 pagos no EF6/2025, a um custo de ¥286 milhões ante ¥267 milhões. O índice de distribuição subiu para 36,4%, ante 19,6%, porque o lucro caiu, e não porque a política tenha mudado, enquanto o dividendo sobre o patrimônio recuou para 3,5%, ante 3,6%. Para o EF6/2027 projetam-se ¥16,00, uma distribuição de 23,8%. À parte, na mesma reunião do conselho de 10 de agosto de 2026, a companhia aprovou a recompra de até 500.000 ações — 2,7% das ações em circulação excluída a tesouraria — por até ¥300 milhões, no mercado de Tóquio entre 12 de agosto de 2026 e 10 de fevereiro de 2027. Já havia comprado ¥380 milhões em ações próprias durante o EF6/2026, elevando a tesouraria para 1.217.201 ações, ante 718.401.
| Indicador | EF6/2026 | EF6/2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Vendas líquidas (milhões de ¥) | 33.204 | 28.897 | +14,9% |
| Lucro bruto (milhões de ¥) | 11.257 | 11.072 | +1,7% |
| Margem bruta | 33,9% | 38,3% | −4,4 p.p. |
| Despesas comerciais e administrativas (milhões de ¥) | 9.467 | 8.550 | +10,7% |
| Lucro operacional (milhões de ¥) | 1.790 | 2.523 | −29,1% |
| Margem operacional | 5,4% | 8,7% | −3,3 p.p. |
| Lucro ordinário (milhões de ¥) | 1.809 | 2.400 | −24,6% |
| Lucro antes de impostos (milhões de ¥) | 1.712 | 2.338 | −26,8% |
| Imposto de renda (milhões de ¥) | 916 | 982 | −6,6% |
| Lucro líquido atribuível aos controladores (milhões de ¥) | 796 | 1.356 | −41,3% |
| Resultado abrangente (milhões de ¥) | 928 | 1.260 | −26,3% |
| LPA (¥) | 41,19 | 71,47 | −42,4% |
| Retorno sobre o patrimônio líquido | 9,7% | 18,0% | −8,3 p.p. |
| Marketing digital — receita (milhões de ¥) | 16.670 | 12.521 | +33,1% |
| Marketing digital — lucro do segmento (milhões de ¥) | 1.030 | 900 | +14,4% |
| Pesquisa e insights — receita (milhões de ¥) | 16.534 | 16.376 | +1,0% |
| Pesquisa e insights — lucro do segmento (milhões de ¥) | 3.067 | 3.823 | −19,8% |
| Custos corporativos não alocados e eliminações (milhões de ¥) | −2.307 | −2.200 | prejuízo ampliado |
| Amortização do ágio (milhões de ¥) | 314 | 257 | +21,9% |
| Ativos totais (milhões de ¥) | 26.707 | 16.421 | +62,6% |
| Patrimônio líquido (milhões de ¥) | 8.366 | 7.987 | +4,7% |
| Índice de patrimônio líquido | 31,3% | 48,6% | −17,3 p.p. |
| Fluxo de caixa operacional (milhões de ¥) | 1.854 | 1.956 | −5,2% |
| Caixa e equivalentes no fim do exercício (milhões de ¥) | 11.478 | 7.634 | +50,4% |
| Projeção EF6/2027 — receita (milhões de ¥) | 40.000 | — | +20,5% |
| Projeção EF6/2027 — lucro operacional (milhões de ¥) | 2.500 | — | +39,7% |
| Projeção EF6/2027 — lucro ordinário (milhões de ¥) | 2.500 | — | +38,2% |
| Projeção EF6/2027 — lucro líquido (milhões de ¥) | 1.300 | — | +63,4% |
| Projeção EF6/2027 — LPA (¥) | 67,30 | — | +63,4% |
| Dividendo anual por ação (¥) | 16,00 | 15,00 | +6,7% |
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