A virada é uma história de câmbio, não de operação
A Oji Holdings Corporation (TSE: 3861), maior grupo de papel e embalagens do Japão, publicou em 5 de agosto de 2026 os resultados consolidados dos três meses encerrados em 30 de junho de 2026, sob normas contábeis japonesas. As vendas líquidas subiram 2,4%, para ¥468.508 milhões, e o lucro operacional 4,8%, para ¥3.881 milhões, deixando a margem operacional em finos 0,8%. Abaixo da linha operacional o quadro muda: o lucro ordinário virou para lucro de ¥5.629 milhões, ante prejuízo de ¥3.554 milhões, e o líquido para lucro de ¥3.162 milhões, ante prejuízo de ¥5.157 milhões, com lucro por ação de ¥3,68 ante prejuízo de ¥5,57.
A companhia é explícita sobre a causa. O lucro ordinário melhorou por ganhos cambiais decorrentes da reavaliação de contas a receber e a pagar denominadas em moeda estrangeira. Trata-se de efeito de conversão no balanço, não de mudança na operação, e vale separá-lo dos ¥178 milhões de melhora operacional genuína que o trimestre entregou.
O crescimento da receita veio de três fontes citadas: as revisões de preço no negócio doméstico de papelão ondulado, a contribuição da AustroCel Hallein, adquirida no exercício anterior, e um iene mais fraco na conversão das subsidiárias no exterior. Por geografia, as vendas domésticas somaram ¥276,3 bilhões ante ¥262,8 bilhões e as externas ¥192,2 bilhões ante ¥194,6 bilhões; o lucro operacional doméstico foi de ¥4,8 bilhões ante ¥4,2 bilhões, enquanto o exterior seguiu com prejuízo de ¥0,9 bilhão, ante ¥0,5 bilhão um ano antes.
Dois segmentos em forte alta e o papel de impressão aprofundando o prejuízo
Materiais domésticos e industriais, o maior segmento, ampliou a receita externa em 3,4%, para ¥219.174 milhões, enquanto seu lucro saltou de ¥228 milhões para ¥5.831 milhões — as revisões de preço do ondulado incidindo sobre uma base quase nula. Materiais funcionais elevou a receita em 2,1%, para ¥55.242 milhões, e o lucro em 41,8%, para ¥4.021 milhões.
Do outro lado, Recursos florestais e meio ambiente cresceu 1,7% em receita, para ¥85.952 milhões, mas viu o lucro cair 32,4%, para ¥1.595 milhões, e Mídia impressa e de comunicação perdeu terreno nas duas linhas: receita 10,7% menor, em ¥47.946 milhões, e prejuízo do segmento ampliando-se de ¥254 milhões para ¥3.303 milhões. É um declínio estrutural que o grupo administra em vez de reverter: fechou a fábrica de conversão de cartão da subsidiária Oji Fibre Solutions em junho de 2026, após ter saído do negócio de papel para ondulado e vendido suas operações australianas de embalagem no ano anterior.
Cem milhões de ações canceladas e uma projeção que exige leitura atenta
Os ativos totais subiram 1,5% desde o fechamento de março, para ¥2.727.262 milhões, enquanto o patrimônio líquido caiu 1,5%, para ¥1.119.876 milhões, levando o índice de capital próprio a 39,8%, ante 41,0%. Por trás disso há uma operação de capital: a companhia cancelou 100 milhões de ações em tesouraria, reduzindo as ações emitidas de 1.014,4 milhões para 914,4 milhões e as em tesouraria de 137,7 milhões para 65,1 milhões. O valor patrimonial por ação ainda assim subiu, para ¥1.276,80, ante ¥1.257,44.
As projeções seguem inalteradas: vendas líquidas de ¥1.940.000 milhões (+4,2%), lucro operacional de ¥60.000 milhões (+73,5%), lucro ordinário de ¥45.000 milhões (+11,0%) e lucro líquido de ¥35.000 milhões (−37,0%), com lucro por ação de ¥38,47. A combinação é incomum e merece ser dita com clareza: projeta-se forte alta do lucro operacional enquanto o líquido é projetado em queda de mais de um terço, o que aponta para itens do ano anterior abaixo da linha operacional, e não para a operação. O trimestre entregou apenas 6,5% dessa meta anual de lucro operacional, embora o primeiro trimestre seja sazonalmente o mais fraco do grupo. No horizonte mais longo, seu Plano de Gestão de Médio Prazo 2027 mira ¥120 bilhões de lucro operacional, ¥80 bilhões de lucro líquido e 8% de retorno sobre o patrimônio até o exercício de 2027. O dividendo anual é mantido em ¥36,00, dividido em ¥18,00 de antecipação e ¥18,00 no fechamento.
| Indicador | 1T EF3/2027 | 1T EF3/2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Vendas líquidas (milhões de ¥) | 468.508 | 457.442 | +2,4% |
| Lucro operacional (milhões de ¥) | 3.881 | 3.703 | +4,8% |
| Margem operacional | 0,8% | 0,8% | +0,0 p.p. |
| Lucro ordinário (milhões de ¥) | 5.629 | −3.554 | de prejuízo a lucro |
| Lucro líquido (milhões de ¥) | 3.162 | −5.157 | de prejuízo a lucro |
| LPA (¥) | 3,68 | −5,57 | de prejuízo a lucro |
| Materiais domésticos e industriais — receita (milhões de ¥) | 219.174 | 212.042 | +3,4% |
| Materiais domésticos e industriais — lucro do segmento (milhões de ¥) | 5.831 | 228 | +2.457,5% |
| Materiais funcionais — receita (milhões de ¥) | 55.242 | 54.097 | +2,1% |
| Materiais funcionais — lucro do segmento (milhões de ¥) | 4.021 | 2.835 | +41,8% |
| Recursos florestais e meio ambiente — receita (milhões de ¥) | 85.952 | 84.554 | +1,7% |
| Recursos florestais e meio ambiente — lucro do segmento (milhões de ¥) | 1.595 | 2.360 | −32,4% |
| Mídia impressa e de comunicação — receita (milhões de ¥) | 47.946 | 53.703 | −10,7% |
| Mídia impressa e de comunicação — lucro do segmento (milhões de ¥) | −3.303 | −254 | prejuízo ampliado |
| Ativos totais (milhões de ¥) | 2.727.262 | 2.686.944 | +1,5% |
| Patrimônio líquido (milhões de ¥) | 1.119.876 | 1.136.882 | −1,5% |
| Índice de patrimônio líquido | 39,8% | 41,0% | −1,2 p.p. |
| Projeção EF3/2027 — receita (milhões de ¥) | 1.940.000 | — | +4,2% |
| Projeção EF3/2027 — lucro operacional (milhões de ¥) | 60.000 | — | +73,5% |
| Projeção EF3/2027 — lucro ordinário (milhões de ¥) | 45.000 | — | +11,0% |
| Projeção EF3/2027 — lucro líquido (milhões de ¥) | 35.000 | — | −37,0% |
| Projeção EF3/2027 — LPA (¥) | 38,47 | — | n.s. |
| Dividendo anual por ação (¥) | 36,00 | 36,00 | inalterado |
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