Kadoya Sesame Mills transforma queda de 3,4% na receita em alta de 10% no lucro operacional com melhores custos unitários

A Kadoya Sesame Mills registrou no primeiro trimestre receita de ¥10.203 milhões, queda de 3,4% em base anual, e ainda assim elevou o lucro operacional em 10,1%, para ¥1.397 milhões, o lucro ordinário em 17,0%, para ¥1.450 milhões, e o lucro líquido atribuível aos proprietários da controladora em 17,8%, para ¥983 milhões. O volume de vendas caiu 4,3% enquanto o preço unitário médio de venda subiu 0,9%, e a margem bruta se ampliou 4,5 pontos percentuais, para 32,1%, com o custo das vendas em queda de 9,4%. Mas a projeção anual, mantida inalterada, ainda aponta para um lucro operacional 24,0% menor no exercício como um todo.

Resumo dos resultados do primeiro trimestre do EF3/2027 da Kadoya Sesame Mills

Menos receita, mais lucro — e todo o trabalho foi da margem

A Kadoya Sesame Mills Incorporated (TSE: 2612), maior fabricante japonesa de óleo de gergelim e a companhia por trás da marca «Pure Sesame Oil», a mais conhecida do país, divulgou em 3 de agosto de 2026 seus resultados consolidados do primeiro trimestre do exercício encerrado em março de 2027 — de 1º de abril a 30 de junho de 2026 — sob as normas contábeis japonesas. A receita somou ¥10.203 milhões, queda de 3,4% frente aos ¥10.566 milhões de um ano antes, que por sua vez haviam crescido 10,0%. Todas as linhas de lucro foram na direção oposta: o lucro operacional subiu 10,1%, para ¥1.397 milhões, um aumento de ¥129 milhões; o lucro ordinário subiu 17,0%, para ¥1.450 milhões, mais ¥211 milhões; e o lucro líquido atribuível aos proprietários da controladora subiu 17,8%, para ¥983 milhões, mais ¥149 milhões.

A composição da queda de receita é a chave para ler o resto da demonstração. O volume de vendas caiu 4,3% enquanto o preço unitário médio de venda subiu 0,9% — ou seja, o recuo foi quase inteiramente uma questão de volume, com o preço atuando como pequeno contrapeso e não como peso. Essa distinção importa para uma fabricante de alimentos de marca em um mercado no qual as revisões de preços vêm ocorrendo em todo o setor: a Kadoya perdeu caixas, não preço.

O lucro por ação foi de ¥35,63, contra ¥30,23 um ano antes, alta de 17,9%, sem cifra diluída divulgada. Ambos os períodos estão expressos em base pós-desdobramento: a companhia executou um desdobramento de 3 para 1 de suas ações ordinárias com efeito em 1º de abril de 2026, e os números por ação do exercício anterior são reapresentados como se o desdobramento tivesse ocorrido no início daquele exercício. A única linha de lucro em queda foi o resultado abrangente, de ¥849 milhões contra ¥895 milhões, queda de 5,1%: a diferença está em outros resultados abrangentes, onde uma virada negativa de ¥133 milhões na avaliação de títulos disponíveis para venda transformou o ganho de ¥61 milhões do exercício anterior em uma perda de ¥134 milhões. As demonstrações financeiras consolidadas trimestrais não foram revisadas por auditor independente e não houve reunião de apresentação de resultados, embora material complementar tenha sido publicado junto com o comunicado.

Margem bruta se amplia 4,5 pontos com custo das vendas em queda de 9,4%

O custo das vendas caiu para ¥6.929 milhões, de ¥7.648 milhões, uma redução de 9,4% contra uma queda de receita de apenas 3,4%. Essa diferença produziu lucro bruto de ¥3.273 milhões, alta de 12,2%, e elevou a margem bruta para 32,1%, de 27,6% — uma ampliação de 4,5 pontos percentuais em um trimestre com menos receita. A companhia atribui a melhora a dois fatores que agem juntos: a própria redução do volume de vendas e uma melhora efetiva do custo por unidade de produto. Os custos de materiais auxiliares e de pessoal aumentaram, e os preços de energia e materiais seguiram em nível elevado, mas nenhum deles foi suficiente para anular o ganho de custo unitário.

As despesas com vendas, gerais e administrativas foram na direção oposta, com alta de 13,7%, para ¥1.876 milhões, de ¥1.650 milhões — mais rápido que qualquer outra linha da demonstração de resultados, o suficiente para levar seu peso a 18,4% da receita, de 15,6%. A companhia aponta três causas: honorários de especialistas externos para o fortalecimento da base de gestão e a melhoria de processos, aumento dos custos de pessoal e aumento dos custos logísticos. Líquido de tudo isso, a margem operacional ainda melhorou para 13,7%, de 12,0%, e os ¥355 milhões adicionais de lucro bruto cobriram com folga os ¥226 milhões de estrutura extra.

A razão pela qual o lucro ordinário cresceu mais que o operacional — 17,0% contra 10,1% — é uma virada cambial abaixo da linha operacional, e não algo do negócio comercial. As receitas não operacionais de ¥54 milhões deste trimestre incluíram um ganho cambial de ¥23 milhões, contra ¥28 milhões de receitas não operacionais um ano antes sem nenhum ganho cambial; e as despesas não operacionais desabaram para praticamente zero, de ¥56 milhões, dos quais ¥55 milhões eram perda cambial. Essa reversão de cerca de ¥78 milhões explica a maior parte dos ¥82 milhões pelos quais o avanço do lucro ordinário superou o do operacional. O imposto de renda totalizou ¥466 milhões contra ¥404 milhões, uma alíquota efetiva de 32,1% contra 32,6%.

Óleo de gergelim: casas e restaurantes em alta, exportações em queda por efeito-base tarifário

Óleo de gergelim, o maior dos dois segmentos reportados, gerou receita de ¥7.917 milhões, queda de 5,0% ou ¥423 milhões, com volume de vendas em recuo de 2,9% — e ainda assim o lucro do segmento subiu para ¥1.261 milhões, um aumento de ¥117 milhões, porque o custo das vendas ficou abaixo do exercício anterior a despeito dos preços elevados de energia e materiais. O segmento responde por 77,6% da receita do grupo e por 90,3% do total de lucro reportado por segmentos.

O quadro doméstico dentro dessa queda foi positivo nos dois canais. O volume no canal doméstico cresceu em base anual mesmo com a inflação de alimentos deixando o consumidor mais cauteloso, apoiado em um programa de marketing desenhado para defender valor e não preço: uma campanha de food trucks por nove cidades, conduzida do exercício anterior para o atual, que permitiu aos compradores provar e entender o aroma, o sabor e os usos do «Pure Sesame Oil», com ênfase em empregá-lo como óleo de finalização derramado sobre o prato e não apenas como meio de cocção. O volume nos canais comercial e de food service também cresceu, com os canais de restaurantes em geral firmes e os usuários industriais mantendo certo nível de demanda.

A queda veio das exportações, e é um efeito-base, não um problema de demanda. O trimestre do ano anterior foi temporariamente inflado por compras antecipadas antes da entrada em vigor das tarifas norte-americanas; a reação a essa antecipação levou o volume exportado deste ano para baixo do exercício anterior. A companhia é explícita ao dizer que a demanda de exportação subjacente seguiu firme, descontado o elemento pontual, e dedicou o trimestre a aprofundar seu mercado existente na América do Norte — inclusive com ações promocionais junto aos principais atacadistas — enquanto abria novos canais na América Latina, na APAC e na EMEA. Do lado do suprimento, uma nova diretoria de SCM foi criada em abril de 2026 para iniciar o fortalecimento da cadeia de suprimentos.

Gergelim alimentar: marca própria e pasta de gergelim elevam o volume em 2,7%

Gergelim alimentar foi a metade em crescimento do negócio, com receita de ¥2.283 milhões, alta de 2,9% ou ¥65 milhões, sobre volume de vendas 2,7% maior — um avanço quase inteiramente puxado por volume. Os produtos de marca própria para o consumo doméstico venderam bem precisamente porque os consumidores estão economizando, e cresceram as vendas de gergelim alimentar para usuários industriais e para as seções de rotisseria dos supermercados, além da pasta de gergelim para restaurantes. O lucro do segmento chegou a ¥134 milhões, mais ¥13 milhões, com o ganho de receita vindo do volume absorvendo tanto uma mudança desfavorável no mix de vendas quanto a alta generalizada de custos.

Somando os dois, as receitas de segmento de ¥7.917 milhões e ¥2.283 milhões chegam a ¥10.201 milhões; com mais ¥1 milhão de receitas «outras» — venda de mercadorias adquiridas —, o total consolidado alcança ¥10.203 milhões. Os lucros de segmento de ¥1.261 milhões e ¥134 milhões, mais ¥1 milhão de «outros», reconciliam exatamente com o lucro operacional reportado de ¥1.397 milhões, sem qualquer camada corporativa não alocada no meio.

Balanço: índice de capital próprio sobe a 82,3% enquanto o balanço encolhe

O ativo total era de ¥44.999 milhões em 30 de junho de 2026, ¥2.346 milhões menos que os ¥47.346 milhões do fechamento de março de 2026. As reduções se espalharam entre capital de giro e investimentos: matérias-primas e suprimentos caíram ¥799 milhões, títulos e contas a receber ¥749 milhões, investimentos e outros ativos ¥387 milhões, e caixa e depósitos ¥360 milhões. O passivo caiu mais em termos proporcionais, ¥1.940 milhões, para ¥7.964 milhões, com imposto de renda a pagar ¥551 milhões menor, a provisão para bônus ¥526 milhões menor e títulos e contas a pagar ¥349 milhões menores — o padrão clássico de um primeiro trimestre que liquida as provisões do exercício anterior.

O patrimônio líquido fechou em ¥37.034 milhões, ¥406 milhões menos: as reservas de lucros caíram ¥278 milhões, com os ¥983 milhões de lucro trimestral mais que absorvidos por ¥1.262 milhões de dividendos, e o ajuste de avaliação de títulos disponíveis para venda recuou ¥133 milhões. Como o passivo encolheu mais rápido que o patrimônio, o índice de capital próprio subiu a 82,3%, de 79,1% — uma das posições de capital mais sólidas do setor de alimentos listado no Japão, com patrimônio dos acionistas de ¥37.034 milhões igual à totalidade do patrimônio líquido e sem participações minoritárias.

O fluxo de caixa é a única linha que se lê pior que a demonstração de resultados. O fluxo de caixa operacional caiu para ¥836 milhões, de ¥1.477 milhões, uma queda de 43,4%, mesmo com o lucro antes de impostos em alta. O capital de giro foi, na verdade, fonte de caixa — os recebíveis liberaram ¥749 milhões e os estoques ¥820 milhões —, mas isso foi compensado por uma reversão de ¥526 milhões da provisão para bônus, ¥129 milhões da provisão para bônus de diretores, ¥350 milhões de redução de contas a pagar e ¥516 milhões de redução de outros passivos, e depois por ¥761 milhões de impostos pagos contra ¥545 milhões um ano antes. As atividades de investimento consumiram ¥118 milhões, sobretudo ¥100 milhões de compras de imobilizado, e o financiamento consumiu ¥1.080 milhões, dos quais ¥1.084 milhões foram dividendos pagos em caixa. O caixa e equivalentes fechou o trimestre em ¥11.622 milhões, contra ¥11.983 milhões no início. As ações emitidas eram 28.200.000 em base pós-desdobramento, com 584.286 em tesouraria — número que inclui 27.759 ações remanescentes no trust de entrega de ações BBT da companhia — e a média ponderada foi de 27.615.061.

Projeção inalterada — e ela implica lucro em forte queda a partir daqui

A projeção anual foi mantida inalterada em relação ao anúncio de 13 de maio de 2026, e é um conjunto de números claramente conservador diante do que o primeiro trimestre acaba de entregar. Para o exercício completo a companhia ainda espera receita de ¥41.000 milhões, alta de 2,4%, lucro operacional de ¥2.900 milhões, queda de 24,0%, lucro ordinário de ¥3.000 milhões, queda de 26,1%, e lucro líquido de ¥2.050 milhões, queda de 24,7%, para um LPA de ¥74,23. A projeção do primeiro semestre é de ¥20.000 milhões de receita, queda de 2,9%, ¥1.800 milhões de lucro operacional, queda de 26,7%, ¥1.850 milhões de lucro ordinário, queda de 25,5%, e ¥1.250 milhões de lucro líquido, queda de 26,0%, para um LPA de ¥45,26.

Lidas contra o trimestre recém-publicado, essas metas já estão bem adiantadas. Os ¥1.397 milhões de lucro operacional do primeiro trimestre equivalem a 78% da meta semestral de ¥1.800 milhões e a 48% da meta anual de ¥2.900 milhões; o lucro ordinário está em 78% e 48% de suas duas metas e o lucro líquido em 79% e 48%. Invertido, o guidance implica apenas ¥403 milhões de lucro operacional no segundo trimestre e ¥1.100 milhões em todo o segundo semestre — menos de um terço do total anual em metade do exercício. A projeção de receita é a única linha em que a aritmética surpreende menos: os ¥10.203 milhões do trimestre são 51% da meta semestral e 24,9% da anual, ritmo praticamente linear, o que significa que o guidance implica estreitamento da margem, e não colapso do faturamento. Se isso reflete uma pressão de custos real que a companhia espera mais adiante no ano, ou simples conservadorismo depois de um trimestre inicial forte, é a pergunta que o próximo comunicado responderá.

A projeção de dividendo também segue sem revisão: ¥47,00 por ação para o EF3/2027, pagos integralmente no fim do exercício e sem parcela intermediária. Frente aos ¥137,00 do EF3/2026 — cifra expressa em base pré-desdobramento, equivalente a cerca de ¥45,67 pós-desdobramento —, trata-se de um aumento pequeno, e corresponde a um payout de aproximadamente 63% sobre os ¥74,23 de LPA projetado. A administração apresentou o trimestre como mais um passo do programa de «gestão baseada na comunidade de fãs» que conduz desde a definição de seu propósito, visão e valores em abril de 2025, no caminho para seu plano de médio prazo, em um mercado de alimentos onde as revisões de preços continuam por conta dos custos elevados de matérias-primas, mão de obra, logística e embalagens, onde a busca de economia pelo consumidor e a pressão das empresas para repassar custos coexistem, e onde a demanda de restaurantes se sustenta pelo turismo receptivo ainda elevado. Não houve mudança significativa no perímetro de consolidação, nem tratamentos contábeis específicos do trimestre, nem mudanças de políticas contábeis.

Kadoya Sesame Mills Incorporated — Primeiro trimestre do EF3/2027 (1º de abril – 30 de junho de 2026), normas contábeis japonesas, consolidado. As linhas de balanço são comparadas com 31 de março de 2026.
Métrica1T EF3/20271T EF3/2026Variação
Receita (¥ milhões)10.20310.566−3,4%
Custo das vendas (¥ milhões)6.9297.648−9,4%
Lucro bruto (¥ milhões)3.2732.918+12,2%
Margem bruta32,1%27,6%+4,5 p.p.
Despesas com vendas, gerais e administrativas (¥ milhões)1.8761.650+13,7%
Lucro operacional (¥ milhões)1.3971.267+10,1%
Margem operacional13,7%12,0%+1,7 p.p.
Lucro ordinário (¥ milhões)1.4501.239+17,0%
Lucro líquido atrib. aos proprietários da controladora (¥ milhões)983834+17,8%
Resultado abrangente (¥ milhões)849895−5,1%
LPA (¥; pós-desdobramento 3 para 1)35,6330,23+17,9%
Receita de Óleo de gergelim (¥ milhões)7.9178.341−5,0%
Lucro do segmento Óleo de gergelim (¥ milhões)1.2611.143+10,3%
Receita de Gergelim alimentar (¥ milhões)2.2832.218+2,9%
Lucro do segmento Gergelim alimentar (¥ milhões)134120+11,7%
Fluxo de caixa operacional (¥ milhões)8361.477−43,4%
Ativo total (¥ milhões; vs 31 mar 2026)44.99947.346−5,0%
Patrimônio líquido (¥ milhões; vs 31 mar 2026)37.03437.440−1,1%
Índice de capital próprio (vs 31 mar 2026)82,3%79,1%+3,2 p.p.

A JapanStockPulse fornece conteúdo apenas informativo e não constitui aconselhamento de investimento. Os números provêm do relatório de resultados publicado pela companhia e podem estar sujeitos a revisão posterior.