Vendas um quinto maiores, lucro operacional mais que dobrado — e ainda assim prejuízo líquido
A CMK CORPORATION (TSE: 6958), grupo cujo principal negócio é o setor automotivo, divulgou em 5 de agosto de 2026 os resultados consolidados do primeiro trimestre do exercício que termina em março de 2027 — os três meses de 1º de abril a 30 de junho de 2026 — pelas normas contábeis japonesas. A receita subiu 19,4%, para ¥27.191 milhões, e o lucro operacional 140,8%, para ¥385 milhões, enquanto o lucro ordinário caiu 43,0%, para ¥127 milhões, e o resultado atribuível aos controladores passou de lucro de ¥80 milhões para prejuízo de ¥149 milhões. O resultado por ação foi de −¥2,10, ante ¥1,12. O documento indica a Bolsa de Tóquio como local de listagem.
O documento atribui o crescimento das vendas aos clientes japoneses. As vendas a um grande cliente europeu caíram, mas as destinadas aos principais clientes japoneses evoluíram normalmente, e a empresa afirma que os pedidos de seus principais clientes no setor automotivo — seu negócio central — seguem por ora firmes, embora aponte certo retorno dos veículos elétricos para os híbridos plug-in diante da incerteza na demanda por elétricos.
O custo das vendas cresceu mais que a receita; as despesas gerais, não
A aritmética das margens é menos favorável que a taxa de crescimento do lucro operacional. O custo das vendas subiu 20,3%, para ¥23.741 milhões, um pouco mais rápido que a receita, de modo que o lucro bruto cresceu apenas 13,3%, para ¥3.449 milhões, e a margem bruta encolheu de 13,4% para 12,7%. O que elevou o lucro operacional foram as despesas gerais: as despesas comerciais, gerais e administrativas aumentaram só 6,2%, para ¥3.063 milhões, e a margem operacional ainda avançou de 0,7% para 1,4%. Sobre uma base de ¥160 milhões, ¥225 milhões adicionais bastam para um aumento de 140,8%.
O documento aponta as forças que atuaram em cada direção. Ajudou a maior taxa de utilização das fábricas com o aumento da produção. Em sentido contrário, a empresa registrou custos de ajuste num processo de otimização de capacidade em sua fábrica na Tailândia — surgidos no início do período e já resolvidos — e maior depreciação de equipamentos após o início das operações de uma nova fábrica tailandesa. A depreciação do trimestre subiu 51,0%, para ¥2.233 milhões, ante ¥1.479 milhões.
Câmbio e impostos transformaram lucro em prejuízo
Quase tudo abaixo da linha operacional andou na direção errada. As receitas não operacionais caíram para ¥191 milhões, de ¥276 milhões, sobretudo porque o ganho cambial de ¥112 milhões do ano anterior não se repetiu, enquanto as despesas não operacionais mais que dobraram, para ¥449 milhões ante ¥212 milhões. O maior item foi uma perda cambial de ¥131 milhões: segundo o documento, o iene passou a se valorizar frente ao baht tailandês enquanto continuava a se desvalorizar frente ao euro e ao dólar americano, de modo que o efeito cambial sobre os créditos e débitos em moeda estrangeira do grupo passou de ganho a perda. Tributos e taxas subiram para ¥111 milhões, de ¥15 milhões, e as despesas de juros para ¥169 milhões, de ¥157 milhões.
O lucro ordinário caiu, portanto, 43,0%, para ¥127 milhões. Os itens extraordinários foram pequenos — principalmente uma perda de ¥4 milhões com baixas de ativo imobilizado —, deixando lucro antes de impostos de ¥123 milhões, ante ¥202 milhões. Os impostos sobre o lucro, porém, subiram 146,8%, para ¥243 milhões, quase o dobro do lucro antes de impostos; o documento explica que a despesa tributária trimestral é calculada aplicando ao lucro antes de impostos uma alíquota efetiva razoavelmente estimada para o exercício inteiro. O resultado foi prejuízo líquido de ¥120 milhões e, após ¥29 milhões de lucro atribuível aos acionistas não controladores, prejuízo de ¥149 milhões atribuível aos controladores. O resultado abrangente foi ainda assim positivo, de ¥614 milhões, ante resultado abrangente negativo de ¥3.555 milhões um ano antes, pois um ganho de avaliação de ¥518 milhões em títulos e um ajuste de conversão de ¥274 milhões substituíram a perda de conversão de ¥3.716 milhões do ano anterior.
O Japão sustentou o trimestre; o prejuízo do Sudeste Asiático mais que triplicou
As vendas por segmento a seguir são vendas a clientes externos. O Japão foi o motor: as vendas subiram 29,1%, para ¥17.756 milhões, com o aumento das vendas automotivas acompanhando a alta das vendas de veículos no país, e o lucro do segmento avançou 602,7%, para ¥1.111 milhões, de ¥158 milhões, o que o documento atribui à maior produção de produtos ligados a ADAS e a uma mudança de mix para produtos de maior valor agregado. Na China, as vendas caíram 7,8%, para ¥3.694 milhões, com a queda da demanda por elétricos e a redução das vendas de um grande cliente para a Europa, mas o lucro do segmento subiu 7,4%, para ¥424 milhões, graças à racionalização de equipamentos produtivos feita no ano anterior e a outros ganhos de produtividade.
O Sudeste Asiático elevou as vendas em 16,6%, para ¥4.712 milhões, com maiores vendas aos principais clientes japoneses diante do aumento das vendas de veículos na região, mas o prejuízo do segmento ampliou-se para ¥1.247 milhões, ante ¥399 milhões, por causa dos custos de ajuste da fábrica tailandesa e da depreciação da nova fábrica — um prejuízo maior que todo o lucro do segmento Japão. Em Europa e EUA, as vendas subiram 5,0%, para ¥1.027 milhões, com maiores vendas aos principais clientes japoneses, enquanto o lucro do segmento caiu 36,2%, para ¥40 milhões; o documento não explica essa queda. Os resultados dos segmentos somam ¥329 milhões, e um ajuste de ¥56 milhões — eliminações entre segmentos de ¥496 milhões menos despesas corporativas de ¥440 milhões — leva o total ao lucro operacional divulgado de ¥385 milhões.
Um balanço ligeiramente menor, com o endividamento deslocado para o curto prazo
Os ativos totais caíram 0,7%, para ¥150.398 milhões, ante ¥151.522 milhões em 31 de março de 2026. Caixa e depósitos diminuíram ¥871 milhões, para ¥18.677 milhões, o que o documento atribui principalmente a investimentos nas fábricas tailandesas, amortização de empréstimos e pagamento de dividendos, enquanto os estoques aumentaram: mercadorias e produtos acabados, produtos em elaboração e matérias-primas somaram ¥20.121 milhões, ante ¥18.446 milhões. O ativo imobilizado caiu ¥1.532 milhões, para ¥78.734 milhões, o que o documento atribui a efeitos cambiais, entre eles um baht que se desvalorizou só levemente frente ao iene; dentro dessa rubrica, as obras em andamento recuaram para ¥10.003 milhões, de ¥12.304 milhões, enquanto máquinas e veículos subiram para ¥29.980 milhões, de ¥28.530 milhões.
No passivo, os empréstimos de curto prazo aumentaram ¥1.300 milhões, para ¥11.550 milhões, com o objetivo, segundo a empresa, de reforçar a liquidez, enquanto os empréstimos de longo prazo caíram ¥2.224 milhões, para ¥20.031 milhões, por causa da desvalorização do baht e das amortizações. Empréstimos de curto e longo prazo, incluindo a parcela circulante dos de longo prazo, mais ¥3.000 milhões em debêntures, somaram ¥41.133 milhões, ante ¥42.085 milhões. O patrimônio líquido caiu 0,9%, para ¥85.237 milhões, principalmente porque os lucros acumulados diminuíram ¥1.575 milhões com o pagamento de dividendos, e o índice de patrimônio líquido recuou de 55,1% para 54,9%.
Projeção anual revisada; o dividendo previsto de ¥28 é mantido
A CMK revisou a projeção anual do EF3/2027 divulgada em 14 de maio de 2026, num comunicado separado datado de 5 de agosto de 2026. O relatório trimestral traz apenas os novos números, não os anteriores, e não explica a revisão. A empresa agora espera receita de ¥110.000 milhões (+9,8%), lucro operacional de ¥5.000 milhões (+79,3%), lucro ordinário de ¥4.700 milhões (+13,6%) e lucro atribuível aos controladores de ¥3.000 milhões (−25,5%), ou ¥42,08 por ação. O primeiro trimestre entregou 24,7% da receita projetada, mas apenas 7,7% do lucro operacional projetado, o que deixa ¥4.615 milhões de lucro operacional e ¥3.149 milhões de lucro líquido a gerar nos nove meses restantes.
O dividendo previsto de ¥28,00 por ação, pago integralmente no fim do exercício, não foi alterado, ante ¥20,00 no EF3/2026, alta de 40,0%. Segundo uma política anunciada em 19 de maio de 2026, a empresa vincula os dividendos ao patrimônio dos acionistas, tendo como referência um índice de dividendos sobre o patrimônio consolidado (DOE) de 3%. Frente aos ¥42,08 de lucro por ação projetados, ¥28,00 representariam um payout de cerca de 66,5%.
| Indicador | 1T EF3/2027 | 1T EF3/2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita (milhões de ¥) | 27.191 | 22.779 | +19,4% |
| Lucro bruto (milhões de ¥) | 3.449 | 3.043 | +13,3% |
| Margem bruta | 12,7% | 13,4% | −0,7 p.p. |
| Despesas comerciais e administrativas (milhões de ¥) | 3.063 | 2.883 | +6,2% |
| Lucro operacional (milhões de ¥) | 385 | 160 | +140,8% |
| Margem operacional | 1,4% | 0,7% | +0,7 p.p. |
| Resultado cambial (milhões de ¥) | −131 | 112 | de lucro a prejuízo |
| Lucro ordinário (milhões de ¥) | 127 | 223 | −43,0% |
| Lucro antes de impostos (milhões de ¥) | 123 | 202 | −39,1% |
| Impostos sobre o lucro (milhões de ¥) | 243 | 98 | +146,8% |
| Lucro líquido atribuível aos controladores (milhões de ¥) | −149 | 80 | de lucro a prejuízo |
| Resultado abrangente (milhões de ¥) | 614 | −3.555 | de prejuízo a lucro |
| LPA (¥) | −2,10 | 1,12 | de lucro a prejuízo |
| Depreciação (milhões de ¥) | 2.233 | 1.479 | +51,0% |
| Japão — receita (milhões de ¥) | 17.756 | 13.753 | +29,1% |
| Japão — lucro do segmento (milhões de ¥) | 1.111 | 158 | +602,7% |
| China — receita (milhões de ¥) | 3.694 | 4.005 | −7,8% |
| China — lucro do segmento (milhões de ¥) | 424 | 395 | +7,4% |
| Sudeste Asiático — receita (milhões de ¥) | 4.712 | 4.042 | +16,6% |
| Sudeste Asiático — lucro do segmento (milhões de ¥) | −1.247 | −399 | prejuízo ampliado |
| Europa e EUA — receita (milhões de ¥) | 1.027 | 977 | +5,0% |
| Europa e EUA — lucro do segmento (milhões de ¥) | 40 | 63 | −36,2% |
| Ativos totais (milhões de ¥) | 150.398 | 151.522 | −0,7% |
| Patrimônio líquido (milhões de ¥) | 85.237 | 86.049 | −0,9% |
| Índice de patrimônio líquido | 54,9% | 55,1% | −0,2 p.p. |
| Caixa e depósitos (milhões de ¥) | 18.677 | 19.548 | −4,5% |
| Empréstimos de curto prazo (milhões de ¥) | 11.550 | 10.250 | +12,7% |
| Empréstimos de longo prazo (milhões de ¥) | 20.031 | 22.255 | −10,0% |
| Projeção EF3/2027 — receita (milhões de ¥) | 110.000 | — | +9,8% |
| Projeção EF3/2027 — lucro operacional (milhões de ¥) | 5.000 | — | +79,3% |
| Projeção EF3/2027 — lucro ordinário (milhões de ¥) | 4.700 | — | +13,6% |
| Projeção EF3/2027 — lucro líquido (milhões de ¥) | 3.000 | — | −25,5% |
| Projeção EF3/2027 — LPA (¥) | 42,08 | — | — |
| Dividendo anual por ação (¥) | 28,00 | 20,00 | +40,0% |
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