CMK tem prejuízo líquido de ¥149 milhões no 1T apesar de vendas 19% maiores, pressionada por câmbio e impostos

A receita subiu 19,4%, para ¥27.191 milhões, nos três meses encerrados em 30 de junho de 2026, com vendas firmes a clientes japoneses, e o lucro operacional mais que dobrou, para ¥385 milhões ante ¥160 milhões. A virada de um ganho cambial para uma perda cambial de ¥131 milhões reduziu o lucro ordinário em 43,0%, para ¥127 milhões, e, com impostos sobre o lucro de ¥243 milhões, a CMK registrou prejuízo líquido atribuível aos controladores de ¥149 milhões, ante lucro de ¥80 milhões um ano antes.

Resumo dos resultados do 1T do EF3/2027 da CMK CORPORATION

Vendas um quinto maiores, lucro operacional mais que dobrado — e ainda assim prejuízo líquido

A CMK CORPORATION (TSE: 6958), grupo cujo principal negócio é o setor automotivo, divulgou em 5 de agosto de 2026 os resultados consolidados do primeiro trimestre do exercício que termina em março de 2027 — os três meses de 1º de abril a 30 de junho de 2026 — pelas normas contábeis japonesas. A receita subiu 19,4%, para ¥27.191 milhões, e o lucro operacional 140,8%, para ¥385 milhões, enquanto o lucro ordinário caiu 43,0%, para ¥127 milhões, e o resultado atribuível aos controladores passou de lucro de ¥80 milhões para prejuízo de ¥149 milhões. O resultado por ação foi de −¥2,10, ante ¥1,12. O documento indica a Bolsa de Tóquio como local de listagem.

O documento atribui o crescimento das vendas aos clientes japoneses. As vendas a um grande cliente europeu caíram, mas as destinadas aos principais clientes japoneses evoluíram normalmente, e a empresa afirma que os pedidos de seus principais clientes no setor automotivo — seu negócio central — seguem por ora firmes, embora aponte certo retorno dos veículos elétricos para os híbridos plug-in diante da incerteza na demanda por elétricos.

O custo das vendas cresceu mais que a receita; as despesas gerais, não

A aritmética das margens é menos favorável que a taxa de crescimento do lucro operacional. O custo das vendas subiu 20,3%, para ¥23.741 milhões, um pouco mais rápido que a receita, de modo que o lucro bruto cresceu apenas 13,3%, para ¥3.449 milhões, e a margem bruta encolheu de 13,4% para 12,7%. O que elevou o lucro operacional foram as despesas gerais: as despesas comerciais, gerais e administrativas aumentaram só 6,2%, para ¥3.063 milhões, e a margem operacional ainda avançou de 0,7% para 1,4%. Sobre uma base de ¥160 milhões, ¥225 milhões adicionais bastam para um aumento de 140,8%.

O documento aponta as forças que atuaram em cada direção. Ajudou a maior taxa de utilização das fábricas com o aumento da produção. Em sentido contrário, a empresa registrou custos de ajuste num processo de otimização de capacidade em sua fábrica na Tailândia — surgidos no início do período e já resolvidos — e maior depreciação de equipamentos após o início das operações de uma nova fábrica tailandesa. A depreciação do trimestre subiu 51,0%, para ¥2.233 milhões, ante ¥1.479 milhões.

Câmbio e impostos transformaram lucro em prejuízo

Quase tudo abaixo da linha operacional andou na direção errada. As receitas não operacionais caíram para ¥191 milhões, de ¥276 milhões, sobretudo porque o ganho cambial de ¥112 milhões do ano anterior não se repetiu, enquanto as despesas não operacionais mais que dobraram, para ¥449 milhões ante ¥212 milhões. O maior item foi uma perda cambial de ¥131 milhões: segundo o documento, o iene passou a se valorizar frente ao baht tailandês enquanto continuava a se desvalorizar frente ao euro e ao dólar americano, de modo que o efeito cambial sobre os créditos e débitos em moeda estrangeira do grupo passou de ganho a perda. Tributos e taxas subiram para ¥111 milhões, de ¥15 milhões, e as despesas de juros para ¥169 milhões, de ¥157 milhões.

O lucro ordinário caiu, portanto, 43,0%, para ¥127 milhões. Os itens extraordinários foram pequenos — principalmente uma perda de ¥4 milhões com baixas de ativo imobilizado —, deixando lucro antes de impostos de ¥123 milhões, ante ¥202 milhões. Os impostos sobre o lucro, porém, subiram 146,8%, para ¥243 milhões, quase o dobro do lucro antes de impostos; o documento explica que a despesa tributária trimestral é calculada aplicando ao lucro antes de impostos uma alíquota efetiva razoavelmente estimada para o exercício inteiro. O resultado foi prejuízo líquido de ¥120 milhões e, após ¥29 milhões de lucro atribuível aos acionistas não controladores, prejuízo de ¥149 milhões atribuível aos controladores. O resultado abrangente foi ainda assim positivo, de ¥614 milhões, ante resultado abrangente negativo de ¥3.555 milhões um ano antes, pois um ganho de avaliação de ¥518 milhões em títulos e um ajuste de conversão de ¥274 milhões substituíram a perda de conversão de ¥3.716 milhões do ano anterior.

O Japão sustentou o trimestre; o prejuízo do Sudeste Asiático mais que triplicou

As vendas por segmento a seguir são vendas a clientes externos. O Japão foi o motor: as vendas subiram 29,1%, para ¥17.756 milhões, com o aumento das vendas automotivas acompanhando a alta das vendas de veículos no país, e o lucro do segmento avançou 602,7%, para ¥1.111 milhões, de ¥158 milhões, o que o documento atribui à maior produção de produtos ligados a ADAS e a uma mudança de mix para produtos de maior valor agregado. Na China, as vendas caíram 7,8%, para ¥3.694 milhões, com a queda da demanda por elétricos e a redução das vendas de um grande cliente para a Europa, mas o lucro do segmento subiu 7,4%, para ¥424 milhões, graças à racionalização de equipamentos produtivos feita no ano anterior e a outros ganhos de produtividade.

O Sudeste Asiático elevou as vendas em 16,6%, para ¥4.712 milhões, com maiores vendas aos principais clientes japoneses diante do aumento das vendas de veículos na região, mas o prejuízo do segmento ampliou-se para ¥1.247 milhões, ante ¥399 milhões, por causa dos custos de ajuste da fábrica tailandesa e da depreciação da nova fábrica — um prejuízo maior que todo o lucro do segmento Japão. Em Europa e EUA, as vendas subiram 5,0%, para ¥1.027 milhões, com maiores vendas aos principais clientes japoneses, enquanto o lucro do segmento caiu 36,2%, para ¥40 milhões; o documento não explica essa queda. Os resultados dos segmentos somam ¥329 milhões, e um ajuste de ¥56 milhões — eliminações entre segmentos de ¥496 milhões menos despesas corporativas de ¥440 milhões — leva o total ao lucro operacional divulgado de ¥385 milhões.

Um balanço ligeiramente menor, com o endividamento deslocado para o curto prazo

Os ativos totais caíram 0,7%, para ¥150.398 milhões, ante ¥151.522 milhões em 31 de março de 2026. Caixa e depósitos diminuíram ¥871 milhões, para ¥18.677 milhões, o que o documento atribui principalmente a investimentos nas fábricas tailandesas, amortização de empréstimos e pagamento de dividendos, enquanto os estoques aumentaram: mercadorias e produtos acabados, produtos em elaboração e matérias-primas somaram ¥20.121 milhões, ante ¥18.446 milhões. O ativo imobilizado caiu ¥1.532 milhões, para ¥78.734 milhões, o que o documento atribui a efeitos cambiais, entre eles um baht que se desvalorizou só levemente frente ao iene; dentro dessa rubrica, as obras em andamento recuaram para ¥10.003 milhões, de ¥12.304 milhões, enquanto máquinas e veículos subiram para ¥29.980 milhões, de ¥28.530 milhões.

No passivo, os empréstimos de curto prazo aumentaram ¥1.300 milhões, para ¥11.550 milhões, com o objetivo, segundo a empresa, de reforçar a liquidez, enquanto os empréstimos de longo prazo caíram ¥2.224 milhões, para ¥20.031 milhões, por causa da desvalorização do baht e das amortizações. Empréstimos de curto e longo prazo, incluindo a parcela circulante dos de longo prazo, mais ¥3.000 milhões em debêntures, somaram ¥41.133 milhões, ante ¥42.085 milhões. O patrimônio líquido caiu 0,9%, para ¥85.237 milhões, principalmente porque os lucros acumulados diminuíram ¥1.575 milhões com o pagamento de dividendos, e o índice de patrimônio líquido recuou de 55,1% para 54,9%.

Projeção anual revisada; o dividendo previsto de ¥28 é mantido

A CMK revisou a projeção anual do EF3/2027 divulgada em 14 de maio de 2026, num comunicado separado datado de 5 de agosto de 2026. O relatório trimestral traz apenas os novos números, não os anteriores, e não explica a revisão. A empresa agora espera receita de ¥110.000 milhões (+9,8%), lucro operacional de ¥5.000 milhões (+79,3%), lucro ordinário de ¥4.700 milhões (+13,6%) e lucro atribuível aos controladores de ¥3.000 milhões (−25,5%), ou ¥42,08 por ação. O primeiro trimestre entregou 24,7% da receita projetada, mas apenas 7,7% do lucro operacional projetado, o que deixa ¥4.615 milhões de lucro operacional e ¥3.149 milhões de lucro líquido a gerar nos nove meses restantes.

O dividendo previsto de ¥28,00 por ação, pago integralmente no fim do exercício, não foi alterado, ante ¥20,00 no EF3/2026, alta de 40,0%. Segundo uma política anunciada em 19 de maio de 2026, a empresa vincula os dividendos ao patrimônio dos acionistas, tendo como referência um índice de dividendos sobre o patrimônio consolidado (DOE) de 3%. Frente aos ¥42,08 de lucro por ação projetados, ¥28,00 representariam um payout de cerca de 66,5%.

CMK CORPORATION — 1T EF3/2027 (1º de abril – 30 de junho de 2026), normas contábeis japonesas, consolidado. As linhas de balanço comparam 30 de junho de 2026 com 31 de março de 2026; as linhas de projeção e dividendo referem-se ao exercício completo EF3/2027 contra o EF3/2026. "—" indica valor não divulgado.
Indicador1T EF3/20271T EF3/2026Variação
Receita (milhões de ¥)27.19122.779+19,4%
Lucro bruto (milhões de ¥)3.4493.043+13,3%
Margem bruta12,7%13,4%−0,7 p.p.
Despesas comerciais e administrativas (milhões de ¥)3.0632.883+6,2%
Lucro operacional (milhões de ¥)385160+140,8%
Margem operacional1,4%0,7%+0,7 p.p.
Resultado cambial (milhões de ¥)−131112de lucro a prejuízo
Lucro ordinário (milhões de ¥)127223−43,0%
Lucro antes de impostos (milhões de ¥)123202−39,1%
Impostos sobre o lucro (milhões de ¥)24398+146,8%
Lucro líquido atribuível aos controladores (milhões de ¥)−14980de lucro a prejuízo
Resultado abrangente (milhões de ¥)614−3.555de prejuízo a lucro
LPA (¥)−2,101,12de lucro a prejuízo
Depreciação (milhões de ¥)2.2331.479+51,0%
Japão — receita (milhões de ¥)17.75613.753+29,1%
Japão — lucro do segmento (milhões de ¥)1.111158+602,7%
China — receita (milhões de ¥)3.6944.005−7,8%
China — lucro do segmento (milhões de ¥)424395+7,4%
Sudeste Asiático — receita (milhões de ¥)4.7124.042+16,6%
Sudeste Asiático — lucro do segmento (milhões de ¥)−1.247−399prejuízo ampliado
Europa e EUA — receita (milhões de ¥)1.027977+5,0%
Europa e EUA — lucro do segmento (milhões de ¥)4063−36,2%
Ativos totais (milhões de ¥)150.398151.522−0,7%
Patrimônio líquido (milhões de ¥)85.23786.049−0,9%
Índice de patrimônio líquido54,9%55,1%−0,2 p.p.
Caixa e depósitos (milhões de ¥)18.67719.548−4,5%
Empréstimos de curto prazo (milhões de ¥)11.55010.250+12,7%
Empréstimos de longo prazo (milhões de ¥)20.03122.255−10,0%
Projeção EF3/2027 — receita (milhões de ¥)110.000—+9,8%
Projeção EF3/2027 — lucro operacional (milhões de ¥)5.000—+79,3%
Projeção EF3/2027 — lucro ordinário (milhões de ¥)4.700—+13,6%
Projeção EF3/2027 — lucro líquido (milhões de ¥)3.000—−25,5%
Projeção EF3/2027 — LPA (¥)42,08——
Dividendo anual por ação (¥)28,0020,00+40,0%

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