Virada de ¥599 milhões na linha operacional com receita ¥1.624 milhões menor
A ASAHI BROADCASTING GROUP HOLDINGS CORP. (TSE: 9405), holding de um grupo organizado nos segmentos Radiodifusão e conteúdo e Estilo de vida, publicou em 5 de agosto de 2026 os resultados consolidados do primeiro trimestre do exercício que termina em março de 2027 — os três meses de 1º de abril a 30 de junho de 2026 — sob as normas contábeis japonesas. A receita caiu 7,5%, para ¥20.080 milhões. A empresa registrou prejuízo operacional de ¥346 milhões, ante lucro operacional de ¥253 milhões um ano antes, prejuízo ordinário de ¥195 milhões, ante lucro ordinário de ¥355 milhões, e prejuízo atribuível aos controladores de ¥130 milhões, ante lucro de ¥1.872 milhões. O prejuízo por ação foi de ¥3,13, ante lucro de ¥44,86. O documento informa que a empresa está listada na Bolsa de Tóquio.
A aritmética é curta. A receita recuou ¥1.624 milhões e o custo das vendas ¥1.035 milhões (−7,0%), para ¥13.838 milhões, de modo que o custo das vendas caiu quase na mesma proporção da receita — mas não exatamente. O lucro bruto caiu ¥589 milhões (−8,6%), para ¥6.241 milhões, e a margem bruta recuou de 31,5% para 31,1%. As despesas de vendas, gerais e administrativas não se ajustaram nada: subiram ¥10 milhões (+0,2%), para ¥6.588 milhões. Os ¥589 milhões perdidos na linha bruta somados aos ¥10 milhões a mais em despesas gerais equivalem exatamente aos ¥599 milhões de variação do resultado operacional, de lucro de ¥253 milhões para prejuízo de ¥346 milhões. Com essas despesas em patamar semelhante ao do lucro bruto, uma queda de 7,5% na receita bastou para levar a linha operacional abaixo de zero.
Publicidade spot e a comparação com a Expo levaram ao prejuízo na radiodifusão
O documento aponta duas causas no nível do grupo: a queda das receitas de publicidade spot na televisão, que descreve como a principal fonte, e a reversão das receitas obtidas um ano antes com a Expo de Osaka-Kansai. Ambas recaem sobre Radiodifusão e conteúdo, que respondeu por 82,8% da receita do grupo. Sua receita externa caiu 8,8%, para ¥16.626 milhões, ante ¥18.236 milhões. Segundo a empresa, cresceram as receitas de tempo de rede, de distribuição de vídeo por streaming e de uso secundário de conteúdo, mas não o suficiente para compensar o spot mais fraco e a perda das receitas de eventos ligadas à Expo. As despesas operacionais caíram com a receita, mas o segmento passou a prejuízo operacional de ¥367 milhões, ante lucro de ¥185 milhões, uma piora de ¥552 milhões — quase todos os ¥599 milhões do grupo.
Estilo de vida ficou praticamente estável, com receita de ¥3.453 milhões ante ¥3.468 milhões (−0,4%). O documento cita a queda no negócio de habitação com o fechamento de centros de exposição de casas-modelo e menciona no mesmo trecho o negócio de vendas por catálogo, embora a redação não separe como cada um evoluiu. As despesas operacionais subiram ligeiramente e o lucro do segmento caiu para ¥26 milhões, ante ¥71 milhões. Os ajustes, que incluem eliminações entre segmentos e custos de desenvolvimento de novos negócios não alocados a nenhum segmento, somaram −¥5 milhões, ante −¥3 milhões. A empresa descreve a economia japonesa em recuperação moderada, apoiada na melhora do emprego e da renda e no efeito de políticas, com perspectivas turvadas pela situação no Oriente Médio e pela volatilidade dos mercados financeiros e de capitais.
Abaixo da linha operacional, falta o ganho com imobilizado do ano passado
Os itens não operacionais foram um pouco melhores que um ano antes. As receitas não operacionais subiram para ¥230 milhões, ante ¥196 milhões, com juros recebidos de ¥26 milhões ante ¥7 milhões e dividendos recebidos de ¥134 milhões ante ¥120 milhões, enquanto as despesas não operacionais caíram para ¥80 milhões, ante ¥93 milhões, incluindo perda de equivalência patrimonial de ¥40 milhões ante ¥48 milhões. Isso resultou em prejuízo ordinário de ¥195 milhões, ante lucro de ¥355 milhões. Os ganhos extraordinários foram de apenas ¥59 milhões, com a venda de títulos de investimento, ante ¥2.470 milhões um ano antes, quando foram contabilizados ganho de ¥2.435 milhões na venda de ativo imobilizado e ganho de ¥35 milhões por variação de participação.
O resultado antes de impostos foi, portanto, prejuízo de ¥136 milhões, ante lucro de ¥2.826 milhões. O imposto de renda resultou em crédito de ¥17 milhões, ante despesa de ¥942 milhões, deixando prejuízo líquido de ¥119 milhões; após ¥11 milhões atribuíveis aos não controladores nos dois anos, o prejuízo atribuível aos controladores foi de ¥130 milhões. A queda de ¥2.002 milhões nessa linha se deve sobretudo à ausência do ganho com imobilizado do ano passado, e não às operações. O resultado abrangente foi de −¥622 milhões, ante ¥2.156 milhões, pois os outros resultados abrangentes passaram a −¥503 milhões, ante +¥272 milhões: o ajuste de avaliação de títulos disponíveis para venda foi a −¥204 milhões, ante +¥470 milhões, e as remensurações de planos de benefício definido somaram −¥293 milhões, ante −¥176 milhões.
O caixa foi para impostos, amortização de dívida e dividendos
O ativo total caiu ¥8.579 milhões, para ¥125.938 milhões, em relação a 31 de março de 2026. Caixa e depósitos recuaram para ¥16.885 milhões, ante ¥21.979 milhões, o que a empresa atribui ao pagamento de imposto de renda corporativo e imposto sobre consumo, à amortização da parcela circulante de empréstimos de longo prazo e ao pagamento de dividendos; títulos e contas a receber e ativos de contrato caíram para ¥13.914 milhões, ante ¥16.581 milhões, e títulos e valores mobiliários para ¥11.895 milhões, ante ¥13.201 milhões. O passivo diminuiu ¥6.755 milhões, para ¥43.496 milhões: a parcela circulante de empréstimos de longo prazo foi a ¥805 milhões, ante ¥1.827 milhões, outras contas a pagar a ¥7.590 milhões, ante ¥9.758 milhões, e o imposto de renda a pagar a ¥83 milhões, ante ¥2.346 milhões. As debêntures ficaram inalteradas em ¥10.000 milhões.
O patrimônio líquido caiu ¥1.824 milhões, para ¥82.442 milhões. Os lucros acumulados recuaram ¥1.175 milhões, para ¥58.695 milhões, com o pagamento de dividendos e o prejuízo do trimestre, e a empresa recomprou ações: as ações em tesouraria subiram para ¥170 milhões, ante ¥24 milhões, e sua quantidade para 221.045, ante 43.345. O patrimônio atribuível aos controladores foi de ¥80.780 milhões, ante ¥82.604 milhões. Como o ativo total encolheu mais rápido que o patrimônio, o índice de patrimônio líquido subiu para 64,1%, ante 61,4%. A empresa não elaborou demonstração trimestral dos fluxos de caixa; a depreciação foi de ¥893 milhões, ante ¥895 milhões, e a amortização do ágio de ¥16 milhões, ante ¥27 milhões.
Projeção mantida; o dividendo previsto fica abaixo do pago no ano passado
A empresa afirma que os resultados do primeiro trimestre ficaram dentro de suas premissas e manteve a projeção anual do EF3/2027: receita de ¥92.300 milhões (−3,9%), lucro operacional de ¥4.000 milhões (−16,0%), lucro ordinário de ¥4.100 milhões (−7,2%) e lucro atribuível aos controladores de ¥2.700 milhões (−39,4%), com lucro por ação de ¥64,83. O primeiro trimestre entregou 21,8% da receita projetada com prejuízo na linha operacional, de modo que a meta anual implica lucro operacional de cerca de ¥4.346 milhões nos nove meses restantes. O relatório trimestral não descreve como os resultados devem se distribuir ao longo do ano.
A projeção de dividendos também foi mantida. Depois de um dividendo anual de ¥33,00 no EF3/2026 — ¥8,00 intermediário e ¥25,00 no fim do exercício —, a empresa prevê ¥8,00 intermediário e ¥12,00 no fim do exercício, totalizando ¥20,00, queda de 39,4% e cerca de 30,8% do lucro por ação projetado. O relatório trimestral não informa o motivo do dividendo final menor.
| Indicador | 1T EF3/2027 | 1T EF3/2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita (milhões de ¥) | 20.080 | 21.704 | −7,5% |
| Lucro bruto (milhões de ¥) | 6.241 | 6.830 | −8,6% |
| Margem bruta | 31,1% | 31,5% | −0,4 p.p. |
| Despesas comerciais e administrativas (milhões de ¥) | 6.588 | 6.577 | +0,2% |
| Lucro operacional (milhões de ¥) | −346 | 253 | de lucro a prejuízo |
| Lucro ordinário (milhões de ¥) | −195 | 355 | de lucro a prejuízo |
| Ganhos extraordinários (milhões de ¥) | 59 | 2.470 | −97,6% |
| Lucro antes de impostos (milhões de ¥) | −136 | 2.826 | de lucro a prejuízo |
| Lucro líquido atribuível aos controladores (milhões de ¥) | −130 | 1.872 | de lucro a prejuízo |
| Resultado abrangente (milhões de ¥) | −622 | 2.156 | de lucro a prejuízo |
| LPA (¥) | −3,13 | 44,86 | de lucro a prejuízo |
| Radiodifusão e conteúdo — receita (milhões de ¥) | 16.626 | 18.236 | −8,8% |
| Radiodifusão e conteúdo — lucro do segmento (milhões de ¥) | −367 | 185 | de lucro a prejuízo |
| Estilo de vida — receita (milhões de ¥) | 3.453 | 3.468 | −0,4% |
| Estilo de vida — lucro do segmento (milhões de ¥) | 26 | 71 | −63,4% |
| Ativos totais (milhões de ¥) | 125.938 | 134.518 | −6,4% |
| Patrimônio líquido (milhões de ¥) | 82.442 | 84.266 | −2,2% |
| Índice de patrimônio líquido | 64,1% | 61,4% | +2,7 p.p. |
| Projeção EF3/2027 — receita (milhões de ¥) | 92.300 | — | −3,9% |
| Projeção EF3/2027 — lucro operacional (milhões de ¥) | 4.000 | — | −16,0% |
| Projeção EF3/2027 — lucro ordinário (milhões de ¥) | 4.100 | — | −7,2% |
| Projeção EF3/2027 — lucro líquido (milhões de ¥) | 2.700 | — | −39,4% |
| Projeção EF3/2027 — LPA (¥) | 64,83 | — | — |
| Dividendo anual por ação (¥) | 20,00 | 33,00 | −39,4% |
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