A distância entre 11,6% e 2,3%
A Suntory Beverage & Food Limited (TSE: 2587), o braço de refrigerantes do grupo Suntory e a companhia por trás da água mineral Suntory Tennensui, do café em lata BOSS e do chá Iyemon no Japão, da Lucozade no Reino Unido e de PEPSI e Aquafina no Vietnã e na Tailândia, publicou em 6 de agosto de 2026 seus resultados consolidados em IFRS referentes aos seis meses encerrados em 30 de junho de 2026. A receita subiu 11,6%, para ¥899.879 milhões, ante ¥806.411 milhões. O lucro atribuível aos proprietários da controladora subiu 2,3%, para ¥42.075 milhões, ante ¥41.138 milhões. A distância entre essas duas taxas de crescimento é todo este resultado.
A companhia divulga números em moeda constante ao lado dos reportados, e eles invertem o quadro. Em moeda constante, a receita cresceu 5,4%, e não 11,6%. O lucro operacional em moeda constante caiu 5,4%, enquanto o número reportado subiu 3,0%, para ¥73.965 milhões. O lucro atribuível em moeda constante caiu 6,3%. Um iene mais fraco frente a todas as principais moedas operacionais forneceu cerca de seis pontos do crescimento da receita — e bem mais do que a totalidade do ganho no lucro operacional.
A margem operacional reportada caiu para 8,2% ante 8,9%, e a mecânica está acima dessa linha. O custo dos produtos vendidos subiu 13,7%, para ¥567.174 milhões, contra 11,6% da receita, de modo que o lucro bruto cresceu apenas 8,2%, para ¥332.705 milhões, e a margem bruta estreitou-se para 37,0% ante 38,1%. As despesas com vendas, gerais e administrativas subiram então 9,9%, para ¥256.363 milhões, novamente mais rápido que o lucro bruto. A inflação de matérias-primas e logística somada ao maior gasto de marketing é a explicação da própria companhia, e a aritmética a sustenta.
Abaixo da linha operacional o quadro é melhor do que acima dela. O resultado financeiro líquido reduziu-se a ¥641 milhões de despesa, ante ¥1.649 milhões, com as despesas financeiras caindo para ¥1.823 milhões, ante ¥3.030 milhões, de modo que o lucro antes dos impostos subiu 4,5%, para ¥73.324 milhões — mais rápido que o lucro operacional. Um imposto de ¥19.915 milhões representou alíquota efetiva de 27,2%, ante 26,1%, deixando o lucro do período 2,9% maior, em ¥53.409 milhões. As participações de não controladores ficaram então com ¥11.333 milhões, alta de 5,3%, razão pela qual o número atribuível cresce ainda mais devagar. O lucro básico por ação foi de ¥136,17, ante ¥133,13, sem diluição.
Uma nota estrutural antes dos segmentos. O grupo reorganizou seus negócios internacionais em 1º de janeiro de 2026, substituindo a antiga divisão Japão / Ásia-Pacífico / Europa / Américas por Japão / Europa / Ásia / Oceania / Américas. Os números do ano anterior citados abaixo estão reapresentados na nova base, de modo que as comparações são homogêneas — mas a Oceania não tem histórico como segmento autônomo antes deste exercício.
Japão: volume em alta num mercado que encolhe
O Japão, maior segmento com 40,0% da receita externa, gerou receita de ¥360.091 milhões, alta de 4,6%, e lucro do segmento de ¥21.325 milhões, alta de 16,8% — o segundo maior crescimento de lucro do grupo, obtido sem nenhuma ajuda cambial.
A história do volume é a parte interessante. Pela estimativa da própria companhia, o volume do mercado japonês de bebidas caiu na comparação anual, com o efeito das revisões de preços anteriores ainda se propagando. O volume próprio da SBF subiu. Sustentaram-no o investimento contínuo nas marcas centrais e os novos produtos, entre eles o gaseificado "Guilty Tansan NOPE". A Suntory Tennensui ganhou volume com marketing e novos lançamentos; a BOSS cresceu com o "Craft BOSS Amakunai Italiano"; a Iyemon cresceu em formatos grandes e pequenos, com o "Iyemon Koiaji", um alimento com alegações funcionais, mantendo-se firme. A GREEN DA·KA·RA foi a exceção e caiu, pressionada pela fraqueza dos formatos grandes. Na categoria FOSHU e alimentos com alegações funcionais, o "Tokusui", lançado em outubro de 2025, acrescentou volume incremental.
O lucro do segmento subiu porque as revisões de preços e o volume adicional, juntos, superaram a alta dos custos de matéria-prima e logística. A margem do segmento ampliou-se para 5,9% ante 5,3%. É a menor margem dos cinco segmentos — o Japão é um negócio de escala dentro de uma estrutura de preços doméstica apertada — mas é o que avança na direção certa apoiado apenas na economia interna.
Europa: um crescimento que só existe em ienes
A Europa reportou receita de ¥211.943 milhões, alta de 12,0%. Em moeda constante, caiu 0,7%. O lucro do segmento caiu 6,6%, para ¥30.267 milhões, no reportado, e 16,6% em moeda constante. Todo o crescimento de receita da Europa, e mais um pouco, veio da taxa de câmbio.
A França viu o volume cair novamente com o consumo fraco; a receita ali subiu apenas por causa da moeda. O Reino Unido cresceu em volume e receita graças à Lucozade. A Espanha cresceu com a ampliação do portfólio e marketing mais intenso. Em contrapartida, o lucro foi atingido por custos não recorrentes de uma reorganização industrial e pelo maior gasto de marketing — razão pela qual a queda do lucro em moeda constante é mais de vinte vezes a queda da receita na mesma base. A margem do segmento caiu para 14,3% ante 17,1%.
A Europa segue sendo a região mais rentável do grupo em termos absolutos: ¥30.267 milhões de lucro do segmento contra ¥21.325 milhões do Japão, com ¥148.148 milhões a menos de receita. É exatamente por isso que uma queda de 16,6% do lucro em moeda constante pesa muito mais sobre o grupo do que sua participação na receita sugere.
Oceania: o único segmento que conseguiu sem ajuda
A Oceania é o ponto fora da curva deste resultado. A receita subiu 69,7%, para ¥60.011 milhões, e 49,0% em moeda constante. O lucro do segmento subiu 156,2%, para ¥5.241 milhões, e 106,2% em moeda constante — o único segmento cujo lucro mais que dobrou por mérito operacional próprio.
Duas coisas o impulsionaram. O volume de energéticos subiu na comparação anual. E o álcool pronto para beber (RTD), categoria que a SBF lançou na Austrália em julho de 2025 e na Nova Zelândia em janeiro de 2026, contribuiu: o lançamento australiano ocorreu depois do ponto médio do período comparativo do ano anterior e o neozelandês é inteiramente novo neste semestre, de modo que nenhum dos dois ainda se anualizou. A margem do segmento chegou a 8,7% ante 5,8%.
A ressalva é de tamanho. Com ¥60.011 milhões de receita, a Oceania continua sendo o menor dos cinco segmentos, 6,7% do total do grupo, e seus ¥5.241 milhões de lucro representam 6,0% do conjunto de ¥87.021 milhões de lucro dos segmentos. Um segmento desse porte não consegue compensar quedas simultâneas do lucro em moeda constante na Europa, na Ásia e nas Américas — que é exatamente o que mostra a linha operacional consolidada.
Ásia e Américas: ganhos reportados, perdas em moeda constante
A Ásia gerou receita de ¥169.600 milhões, alta de 12,9% no reportado e de 4,3% em moeda constante, com lucro do segmento de ¥19.927 milhões, queda de 0,8% no reportado e de 9,3% em moeda constante. O Vietnã cresceu com o marketing por trás da PEPSI em gaseificados e da Aquafina em água; a Tailândia cresceu com a PEPSI; e o negócio de alimentos saudáveis na Tailândia e na Indochina cresceu por volume e por câmbio. A receita subjacente realmente se expande aqui — o avanço de 4,3% em moeda constante é o segundo melhor do grupo depois da Oceania —, mas o lucro não a acompanha. A margem do segmento caiu para 11,7% ante 13,4%.
As Américas geraram receita de ¥98.233 milhões, alta de 12,5% no reportado e de 5,5% em moeda constante, com lucro do segmento de ¥10.260 milhões, alta de 0,1% no reportado e queda de 6,1% em moeda constante. Revisões de preços e novos produtos energéticos e gaseificados elevaram o topo da demonstração; a inflação de custos de fabricação absorveu o benefício antes que ele chegasse à linha de lucro. A margem caiu para 10,4% ante 11,7%.
Somados os cinco, o lucro dos segmentos foi de ¥87.021 milhões, alta de 4,8%. Os custos corporativos não alocados subiram então para ¥13.056 milhões, ante ¥11.217 milhões, um aumento de ¥1.839 milhões, deixando o número operacional consolidado em ¥73.965 milhões e sua taxa de crescimento em 3,0%.
O balanço cresceu pela mesma moeda que embelezou a receita
O ativo total alcançou ¥2.294.954 milhões em 30 de junho de 2026, alta de ¥76.939 milhões ante 31 de dezembro de 2025. A companhia atribui o aumento ao iene mais fraco frente às principais moedas, somado a contas a receber e estoques maiores — e as rubricas confirmam: as contas a receber comerciais e outras subiram ¥23.644 milhões, para ¥424.883 milhões, e os estoques subiram ¥23.523 milhões, para ¥161.051 milhões. O passivo subiu ¥28.469 milhões, para ¥821.286 milhões, principalmente por contas a pagar comerciais e outras. O patrimônio líquido total subiu ¥48.469 milhões, para ¥1.473.667 milhões, com lucros acumulados e um aumento de ¥14.949 milhões em outros componentes do patrimônio decorrente do mesmo movimento cambial. O patrimônio atribuível aos proprietários da controladora alcançou ¥1.354.262 milhões, e o índice correspondente recuou para 59,0% ante 59,3%, apenas porque o ativo cresceu um pouco mais rápido que o patrimônio.
O fluxo de caixa operacional foi o destaque: ¥71.169 milhões contra ¥41.973 milhões, um aumento de ¥29.196 milhões. Lucro antes dos impostos de ¥73.324 milhões e depreciação e amortização de ¥45.335 milhões, mais um aumento de ¥20.871 milhões em contas a pagar, foram parcialmente compensados por uma alta de ¥18.285 milhões em contas a receber e de ¥21.267 milhões em estoques. Os impostos pagos caíram para ¥17.494 milhões, ante ¥22.378 milhões. O investimento consumiu ¥33.850 milhões, contra ¥40.486 milhões, com ¥34.910 milhões destinados à aquisição de imobilizado e intangíveis. O financiamento consumiu ¥27.949 milhões, contra ¥13.368 milhões — o aumento de ¥14.581 milhões refletindo ¥18.539 milhões de dividendos aos acionistas da controladora, ¥3.278 milhões a não controladores e ¥6.877 milhões de amortização de passivos de arrendamento. O caixa e equivalentes fechou em ¥159.817 milhões, ¥11.154 milhões acima do saldo de 31 de dezembro.
O resultado abrangente total de ¥70.299 milhões, alta de 115,8% ante ¥32.576 milhões, é o mesmo efeito cambial aparecendo mais uma vez: a reserva de conversão de operações no exterior virou para um ganho de ¥17.139 milhões, ante perda de ¥18.056 milhões, uma oscilação de ¥35.195 milhões que nada tem a ver com a operação.
Projeção inalterada, dividendo inalterado — e um terremoto ainda em avaliação
A companhia manteve sua projeção anual para o EF12/2026 exatamente onde a fixou em 12 de fevereiro de 2026: receita de ¥1.826.000 milhões, alta de 6,4%; lucro operacional de ¥155.000 milhões, alta de 4,2%; lucro antes dos impostos de ¥154.000 milhões, alta de 4,8%; lucro do exercício de ¥110.500 milhões, alta de 0,3%; e lucro atribuível aos proprietários da controladora de ¥89.000 milhões, alta de 0,3%, para LPA básico de ¥288,03.
Medido contra isso, o primeiro semestre entregou 49,3% da receita projetada, 47,7% do lucro operacional projetado e 47,3% do lucro atribuível projetado — um semestre de aparência ordinária. A comparação mais reveladora é a taxa de crescimento: 6,4% de crescimento anual projetado da receita contra 11,6% entregues no primeiro semestre, e 0,3% de crescimento projetado do lucro atribuível contra 2,3% entregues. Ambos implicam um segundo semestre materialmente mais lento, que é o que acontece quando a base de comparação cambial endurece.
O dividendo também segue igual. Foram fixados ¥60,00 no intermediário e projetam-se ¥60,00 no final do exercício, somando ¥120,00 no ano — o mesmo do EF12/2025. Frente ao LPA projetado de ¥288,03, isso é um payout de 41,7%. As ações emitidas somavam 309.000.000, inalteradas, com 341 ações em tesouraria contra 340.
Há um risco divulgado e ainda não quantificado. O terremoto de Kumamoto de Reiwa 8, em julho de 2026 — posterior à data do balanço —, danificou partes da fábrica Suntory Kyushu Kumamoto e outros locais que produzem refrigerantes para a companhia sob contrato. A SBF afirma que ainda investiga os detalhes, inclusive o efeito sobre seus próprios resultados, e não alterou a projeção nesta fase. A companhia acrescenta que espera a persistência de condições altamente incertas e pretende buscar tanto a expansão de volume quanto o crescimento do lucro nos cinco segmentos para alcançar a projeção.
| Métrica | 1S EF12/2026 | 1S EF12/2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita (¥ milhões) | 899.879 | 806.411 | +11,6% |
| Lucro bruto (¥ milhões) | 332.705 | 307.369 | +8,2% |
| Margem bruta | 37,0% | 38,1% | −1,1 pp |
| Lucro operacional (¥ milhões) | 73.965 | 71.836 | +3,0% |
| Margem operacional | 8,2% | 8,9% | −0,7 pp |
| Lucro antes dos impostos (¥ milhões) | 73.324 | 70.187 | +4,5% |
| Lucro do período (¥ milhões) | 53.409 | 51.901 | +2,9% |
| Lucro atrib. aos proprietários da controladora (¥ milhões) | 42.075 | 41.138 | +2,3% |
| Resultado abrangente total (¥ milhões) | 70.299 | 32.576 | +115,8% |
| LPA básico (¥) | 136,17 | 133,13 | +2,3% |
| Japão — receita (¥ milhões) | 360.091 | 344.189 | +4,6% |
| Japão — lucro do segmento (¥ milhões) | 21.325 | 18.252 | +16,8% |
| Europa — receita (¥ milhões) | 211.943 | 189.261 | +12,0% |
| Europa — lucro do segmento (¥ milhões) | 30.267 | 32.411 | −6,6% |
| Ásia — receita (¥ milhões) | 169.600 | 150.259 | +12,9% |
| Ásia — lucro do segmento (¥ milhões) | 19.927 | 20.095 | −0,8% |
| Oceania — receita (¥ milhões) | 60.011 | 35.370 | +69,7% |
| Oceania — lucro do segmento (¥ milhões) | 5.241 | 2.046 | +156,2% |
| Américas — receita (¥ milhões) | 98.233 | 87.330 | +12,5% |
| Américas — lucro do segmento (¥ milhões) | 10.260 | 10.247 | +0,1% |
| Fluxo de caixa operacional (¥ milhões) | 71.169 | 41.973 | +69,6% |
| Fluxo de caixa de investimento (¥ milhões) | −33.850 | −40.486 | +6.636 |
| Fluxo de caixa de financiamento (¥ milhões) | −27.949 | −13.368 | −14.581 |
| Caixa e equivalentes no fim do período (¥ milhões) | 159.817 | 145.882 | +9,6% |
| Ativo total (¥ milhões, fim do período) | 2.294.954 | 2.218.015 | +3,5% |
| Patrimônio líquido total (¥ milhões, fim do período) | 1.473.667 | 1.425.198 | +3,4% |
| Patrimônio atrib. aos proprietários da controladora (¥ milhões, fim do período) | 1.354.262 | 1.315.948 | +2,9% |
| Índice de patrimônio atrib. aos proprietários | 59,0% | 59,3% | −0,3 pp |
| Dividendo intermediário por ação (¥) | 60,00 | 60,00 | Inalterado |
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