A MIRAIT ONE Corporation (TSE: 1417), uma das maiores empreiteiras japonesas de engenharia de telecomunicações e infraestrutura social, divulgou resultados consolidados do primeiro trimestre do exercício encerrado em março de 2027 — os três meses de 1º de abril a 30 de junho de 2026 — sob as normas contábeis japonesas (J-GAAP). A receita líquida subiu 7,1%, para ¥130.033 milhões, o lucro operacional saltou 172,9%, para ¥2.804 milhões, e o lucro ordinário avançou 156,6%, para ¥3.344 milhões. O lucro atribuível aos proprietários da controladora ficou em ¥1.857 milhões, ante prejuízo de ¥1.311 milhões no mesmo trimestre do ano anterior. O LPA básico foi de ¥21,01, ante prejuízo por ação de ¥14,64.
Uma virada decisiva para o azul
A reviravolta é o sinal mais claro até agora de que o grupo superou a pressão sobre margens que pesou no trimestre de abertura do ano anterior, quando o lucro operacional caiu 31,2% e o lucro ordinário quase se reduziu à metade. O lucro bruto expandiu para ¥18.412 milhões, ante ¥15.736 milhões, elevando a margem bruta para 14,2%, ante 13,0%, enquanto as despesas comerciais, gerais e administrativas cresceram bem mais devagar que as vendas — alta de 6,1%, para ¥15.608 milhões, contra um avanço de 7,1% da receita. O resultado abrangente alcançou ¥3.282 milhões, revertendo os ¥2.281 milhões negativos de um ano antes.
O prejuízo do ano anterior foi amplificado por uma carga tributária excepcionalmente pesada: um lucro antes de impostos de ¥1.220 milhões suportou ¥2.476 milhões de imposto de renda, empurrando o resultado final para o negativo. Neste ano, um lucro antes de impostos de ¥3.516 milhões suportou uma carga mais normal, de ¥1.547 milhões. Os pedidos recebidos, contudo, recuaram 1,3%, para ¥162.450 milhões, lembrete de que o crescimento da receita reflete em parte a conclusão de obras transferidas e não apenas nova demanda.
Data centers impulsionam o núcleo, construção recua
A administração atribuiu a melhora principalmente às obras ligadas a data centers, em que tanto pedidos quanto receita cresceram impulsionados pela adoção da IA generativa e pelo aumento do tráfego de comunicações. O negócio de Soluções TIC cresceu com projetos globais e obras de data centers; o negócio NTT ganhou tanto em obras de rede de acesso quanto de telefonia móvel; e o negócio multioperadora elevou a receita ao acelerar a conclusão de projetos transferidos, ainda que os pedidos tenham caído. O negócio de inovação ambiental e social foi a exceção, com pedidos e receita em queda frente a um ano anterior forte em grandes contratos de edificação e reforma.
Por segmento reportável, a unidade principal MIRAIT ONE gerou receita externa de ¥67.943 milhões (ante ¥63.065 milhões) e lucro do segmento de ¥1.982 milhões, mais do que o triplo dos ¥611 milhões do ano anterior. A Lantrovision elevou a receita externa para ¥11.529 milhões, ante ¥8.254 milhões, e o lucro do segmento para ¥894 milhões, ante ¥342 milhões. A TTK reportou ¥9.722 milhões de receita externa com ¥190 milhões de lucro, e a Solcom reduziu seu prejuízo para ¥11 milhões, ante ¥310 milhões. Em sentido contrário, a Seibu Construction viu a receita externa cair para ¥11.868 milhões, ante ¥12.873 milhões, com prejuízo de ¥283 milhões; a subsidiária de topografia e geoinformação Kokusai Kogyo passou a um prejuízo de ¥208 milhões, ante ¥61 milhões de lucro; e a Shikoku Tsuken registrou prejuízo de ¥26 milhões.
Balanço encolhe fortemente com o recebimento de contas a receber
O ativo total caiu ¥65.625 milhões, para ¥507.768 milhões, ante ¥573.393 milhões no fim de março de 2026 — uma contração de 11,4% impulsionada quase inteiramente pelo recebimento de duplicatas e contas a receber de obras concluídas, que caíram para ¥156.209 milhões, ante ¥234.644 milhões. Trata-se de um padrão sazonal habitual entre os grupos japoneses de construção e engenharia, cujas contas a receber incham no encerramento fiscal de março, quando as obras são concluídas, e depois se desfazem ao longo do primeiro trimestre. O passivo caiu ¥61.956 milhões, para ¥222.989 milhões, com a amortização de empréstimos de curto prazo e a redução de contas a pagar de obras.
O patrimônio líquido recuou ¥3.668 milhões, para ¥284.779 milhões: o lucro de ¥1.857 milhões do trimestre foi mais do que compensado por ¥4.009 milhões de dividendos pagos e ¥2.917 milhões de recompras de ações. Como o passivo encolheu mais rápido que o ativo, o índice de capital próprio melhorou de forma acentuada, para 54,3%, ante 48,7%, com patrimônio dos acionistas de ¥275.684 milhões.
Recompra executada, dividendo elevado, projeções intocadas
Sob um programa de recompra aprovado na reunião do conselho de 12 de maio de 2026, a companhia recomprou 749.700 ações por ¥2.917 milhões durante o trimestre, elevando as ações em tesouraria para ¥8.707 milhões e o número de ações próprias para 3.409.321, ante 2.659.574 — números que incluem ações mantidas por um trust de remuneração em ações vinculado ao desempenho. As ações emitidas permaneceram inalteradas em 91.325.329.
A projeção de dividendos do FY3/2027 está inalterada em ¥45,00 de dividendo intermediário e ¥50,00 de dividendo final, ou ¥95,00 no ano, ante os ¥85,00 (¥40,00 mais ¥45,00) pagos no FY3/2026 — um aumento de 11,8%.
Metas anuais reafirmadas
As projeções divulgadas em 12 de maio de 2026 foram mantidas intactas: receita líquida de ¥660.000 milhões (+9,6%), lucro operacional de ¥40.000 milhões (+16,7%), lucro ordinário de ¥40.000 milhões (+9,5%), lucro atribuível aos proprietários de ¥25.500 milhões (+9,5%) e LPA de ¥290,79. O primeiro trimestre é sazonalmente o mais fraco do ano para as empreiteiras japonesas de engenharia de telecomunicações, já que as conclusões de obras e o respectivo reconhecimento de receita se concentram no segundo semestre e sobretudo no trimestre de março. O lucro operacional do primeiro trimestre representa, portanto, apenas cerca de 7% da meta anual — uma proporção de partida normal no setor, e não um sinal de déficit, mas que deixa o grosso do trabalho para mais adiante no ano. A depreciação subiu para ¥3.158 milhões, ante ¥2.807 milhões, enquanto a amortização de ágio recuou para ¥559 milhões, ante ¥619 milhões.
| Métrica | 1T FY3/2027 | 1T FY3/2026 | Var. anual |
|---|---|---|---|
| Receita líquida (¥ bilhões) | 130,03 | 121,37 | +7,1% |
| Lucro operacional (¥ bilhões) | 2,80 | 1,03 | +172,9% |
| Lucro ordinário (¥ bilhões) | 3,34 | 1,30 | +156,6% |
| Lucro atrib. aos proprietários (¥ bilhões) | 1,86 | -1,31 | Volta ao lucro |
| LPA básico (¥) | 21,01 | -14,64 | Volta ao lucro |
| Resultado abrangente (¥ bilhões) | 3,28 | -2,28 | Volta ao lucro |
| Pedidos recebidos (¥ bilhões) | 162,45 | — | -1,3% |
| Ativo total (¥ bilhões, vs. fim do FY3/2026) | 507,77 | 573,39 | -11,4% |
| Índice de capital próprio (%, vs. fim do FY3/2026) | 54,3 | 48,7 | +5,6 p.p. |
| Projeção de receita FY3/2027 (¥ bilhões) | 660,00 | — | +9,6% |
| Projeção de lucro operacional FY3/2027 (¥ bilhões) | 40,00 | — | +16,7% |
| Dividendo anual (¥, projeção FY3/2027 vs. FY3/2026) | 95,00 | 85,00 | +11,8% |
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