Rakuten volta ao lucro antes de impostos pela primeira vez em sete anos: fintech salta 47% e prejuízo do móvel encolhe

A Rakuten Group elevou a receita do primeiro semestre em 12,9%, para ¥1.309.052 milhões, e voltou a um lucro operacional IFRS de ¥50.440 milhões após um prejuízo de ¥6.610 milhões, com o lucro do segmento fintech avançando 46,9% para ¥127.708 milhões e o prejuízo do segmento móvel encolhendo para ¥71.080 milhões. O lucro antes de impostos de ¥17.883 milhões e o lucro do período de ¥25.429 milhões foram os primeiros números semestrais positivos do grupo desde 2019 — embora o prejuízo atribuível aos acionistas da controladora tenha persistido, em ¥10.941 milhões.

Sede Crimson House da Rakuten, Tóquio Rakuten Group, Inc. · Bolsa de Tóquio

A Rakuten Group, Inc. (TSE: 4755) divulgou em 10 de agosto seus resultados consolidados sob as normas IFRS. Trata-se de um resultado intermediário, de seis meses, referente ao período de 1º de janeiro a 30 de junho de 2026 — a Rakuten encerra seu exercício em dezembro, e não em março como é comum entre as grandes ações japonesas. São, portanto, números semestrais acumulados do exercício 12/2026, e não um primeiro trimestre nem um resultado de exercício encerrado em março. A receita subiu 12,9%, para ¥1.309.052 milhões, o lucro operacional IFRS voltou a ¥50.440 milhões após prejuízo de ¥6.610 milhões, e o lucro antes de impostos alcançou ¥17.883 milhões, ante prejuízo de ¥66.247 milhões um ano antes. O lucro do período foi de ¥25.429 milhões, contra prejuízo de ¥101.957 milhões. A direção destacou o marco de forma explícita: o lucro antes de impostos e o lucro do período foram positivos pela primeira vez em sete anos — o primeiro semestre no azul desde os seis meses encerrados em junho de 2019.

Uma ressalva deve acompanhar esse marco. Como boa parte da capacidade de gerar lucro da Rakuten está em subsidiárias financeiras listadas detidas apenas parcialmente, ¥36.370 milhões do lucro do período couberam a participações não controladoras, deixando um prejuízo de ¥10.941 milhões atribuível aos proprietários da controladora. Ainda assim, é uma melhora dramática frente ao prejuízo de ¥124.435 milhões no nível da controladora um ano antes — o prejuízo básico por ação recuou para ¥5,03, de ¥57,64, e o diluído para ¥5,05, de ¥57,65 —, mas a linha da controladora ainda não cruzou o zero. Na métrica preferida do próprio grupo, o lucro operacional Non-GAAP quase quadruplicou, com alta de 296,6% para ¥78.334 milhões, de ¥19.751 milhões. O EBITDA subiu 22,4%, para ¥224.057 milhões, e o resultado abrangente total chegou a ¥87.828 milhões, contra saldo negativo de ¥95.529 milhões.

A fintech é agora o motor de lucro do grupo

É na fintech que está o dinheiro. A receita do segmento saltou 25,1%, para ¥570.751 milhões, e o lucro do segmento — apresentado em base Non-GAAP e após o encargo interno de "contribuição do ecossistema móvel" — subiu 46,9%, para ¥127.708 milhões, confortavelmente acima do lucro operacional Non-GAAP de todo o grupo. Antes desse encargo interno, a fintech ganhou ¥140.598 milhões, alta de 46,6% ante ¥95.893 milhões. Todas as grandes linhas domésticas de fintech melhoraram. O Rakuten Card seguiu ampliando sua base de portadores, com crescimento firme do volume de compras que elevou as receitas de tarifas. O negócio bancário foi o destaque: uma base maior de clientes fez crescer os ativos sob gestão justamente quando as altas da taxa básica do Banco do Japão elevaram os rendimentos das aplicações, de modo que a margem financeira se ampliou fortemente, potencializada por ganhos de escala. A corretora se beneficiou de uma base crescente de contas e de um mercado acionário ativo; os seguros melhoraram a rentabilidade ao concentrar o portfólio de produtos; e o Rakuten Pay elevou o volume transacionado junto com o número de usuários, com marketing mais eficiente. Somente no trimestre de junho, o lucro do segmento fintech foi de ¥69.176 milhões, contra ¥43.217 milhões.

O prejuízo do móvel encolhe de novo — mas nenhum número de assinantes é divulgado

A receita do móvel subiu 13,3%, para ¥252.541 milhões, e o prejuízo do segmento encolheu para ¥71.080 milhões, de ¥88.457 milhões, uma melhora de ¥17.377 milhões. Antes da contribuição do ecossistema móvel — o crédito interno que a Rakuten atribui ao negócio móvel pelo gasto adicional que seus assinantes MNO fazem nos outros 18 serviços medidos do grupo —, o prejuízo foi de ¥92.235 milhões, contra ¥104.841 milhões. O próprio crédito cresceu 29,1%, para ¥21.155 milhões, e vale entender o que isso implica: o valor cobrado dos demais segmentos pelo benefício de venda cruzada dos assinantes móveis subiu quase um terço, o que por si só evidencia que a base de assinantes e seu uso cruzado estão crescendo. A direção atribuiu a melhora ao investimento contínuo em qualidade de rede e às campanhas de notoriedade, ao marketing ligado ao ecossistema via Rakuten Ichiba e Rakuten Card, e ao consequente aumento constante das linhas contratadas. O comunicado não divulga um número de assinantes; apenas afirma que as linhas contratadas continuaram a aumentar. No trimestre de junho, o prejuízo do segmento foi de ¥33.054 milhões, ante ¥37.112 milhões. A Rakuten disse que seguirá investindo em estações rádio-base 4G e 5G, ampliará a linha de aparelhos e as soluções corporativas, e busca a conectividade direta entre smartphones e satélites de órbita baixa para alcançar áreas antes sem cobertura e manter o serviço em desastres.

Internet Services ganha muito mais com crescimento modesto — e depois baixa um armazém

A receita de Internet Services cresceu apenas 4,1%, para ¥655.760 milhões, o ritmo mais lento dos três segmentos, mas o lucro do segmento subiu 67,2%, para ¥44.227 milhões — e, antes do encargo do ecossistema, 54,8%, para ¥52.492 milhões, de ¥33.909 milhões. O Rakuten Ichiba ampliou tanto o volume bruto de mercadorias quanto a receita, ao mesmo tempo em que melhorou a eficiência de marketing; o Rakuten Travel registrou receita e lucro nitidamente superiores, com a demanda de visitantes estrangeiros seguindo em expansão e as reservas domésticas firmes; e os negócios deficitários de "investimento em crescimento" reduziram suas perdas. No exterior, a divisão internacional melhorou apesar de um impacto temporário de receita pelo fechamento de alguns serviços: o Rakuten Rewards e o conjunto do comércio aberto se beneficiaram do controle de custos e da ausência dos encargos de reestruturação do ano anterior, enquanto o serviço de vídeo Rakuten Viki ficou mais rentável após uma revisão de preços dos planos. A contrapartida veio abaixo da linha do segmento. Itens não recorrentes de ¥18.022 milhões foram deduzidos na reconciliação do lucro operacional Non-GAAP para o IFRS, incluindo ¥1.019 milhões de impairment de ativos fixos pela saída de parte do negócio de marketplace europeu e cerca de ¥17.000 milhões ligados à logística, onde a Rakuten converteu para uso próprio um serviço de locação de espaço de armazém. Dentro disso, ¥15.739 milhões de imobilizado foram baixados dentro do segmento Internet Services, com o valor recuperável avaliado em zero porque não se esperam fluxos de caixa futuros do ativo.

Custos financeiros caem pela metade e uma mudança de depreciação acrescenta ¥17,3 bilhões

Dois itens abaixo da linha do segmento fizeram trabalho relevante. O resultado financeiro líquido quase caiu pela metade, para ¥31.522 milhões negativos, de ¥54.664 milhões: as receitas financeiras dobraram para ¥20.047 milhões, de ¥10.111 milhões, impulsionadas por um ganho de avaliação de derivativos de ¥17.591 milhões em swaps cambiais atrelados a bônus subordinados perpétuos em moeda estrangeira, enquanto as despesas financeiras recuaram para ¥51.569 milhões, de ¥64.775 milhões. A própria despesa de juros ficou praticamente estável, em ¥42.758 milhões, ante ¥43.097 milhões. Separadamente — e este ponto merece ficar ao lado da virada da manchete —, a Rakuten revisou a vida útil de parte de seus equipamentos de rede após reexaminar a utilização efetiva e revisar seu plano de investimentos. A mudança elevou tanto o lucro operacional quanto o lucro antes de impostos em ¥17.277 milhões em relação ao método anterior, de modo que cerca de um terço do lucro operacional reportado de ¥50.440 milhões lhe é atribuível. A abertura dos custos operacionais confirma: a depreciação e amortização caiu para ¥148.938 milhões, de ¥166.278 milhões, enquanto publicidade e promoção subiram para ¥184.107 milhões, de ¥158.687 milhões, e os juros pagos pelos negócios financeiros quase dobraram, para ¥48.816 milhões, de ¥24.968 milhões, com os custos de depósitos e de captação acompanhando a alta dos juros básicos.

Um balanço de ¥31 trilhões, forte saída de caixa e uma reorganização da fintech em outubro

O ativo total atingiu ¥31.135.930 milhões em 30 de junho, ¥2.331.530 milhões acima dos ¥28.804.400 milhões do fechamento de dezembro de 2025, impulsionado por um aumento de ¥2.983.897 milhões nos ativos financeiros do negócio de valores mobiliários e de ¥550.016 milhões nos empréstimos bancários, parcialmente compensado por uma queda de ¥1.347.089 milhões no caixa. O passivo subiu ¥2.367.546 milhões, para ¥29.817.714 milhões, espelhando quase inteiramente a carteira de valores mobiliários — passivos financeiros em alta de ¥2.937.950 milhões —, enquanto os empréstimos bancários caíram ¥633.032 milhões. O patrimônio líquido total recuou ¥36.016 milhões, para ¥1.318.216 milhões: os ¥36.370 milhões de lucro atribuível a participações não controladoras e um aumento de ¥62.699 milhões em outros componentes do patrimônio, por valores justos mais altos de instrumentos patrimoniais e um iene mais fraco, foram superados por uma redução de ¥80.811 milhões em outros instrumentos patrimoniais transferidos para títulos de dívida e um corte de ¥36.099 milhões na reserva de capital. O índice de capital cedeu para 4,2%, de 4,7%, com o patrimônio atribuível aos proprietários da controladora em ¥915.291 milhões, ante ¥992.402 milhões, um índice de 2,9%. O fluxo de caixa foi negativo nas três atividades, ainda que os motores sejam em grande parte fluxos mecânicos do negócio financeiro: o fluxo operacional foi uma saída de ¥301.671 milhões (¥2.937.815 milhões de entrada por passivos financeiros do negócio de valores mobiliários e ¥392.644 milhões pelo crescimento de depósitos, contra ¥2.983.984 milhões de saída em ativos financeiros do mesmo negócio, ¥548.028 milhões em crédito bancário e ¥246.000 milhões em empréstimos interbancários); o investimento, uma saída de ¥82.825 milhões, bem abaixo dos ¥454.975 milhões do ano anterior; e o financiamento, uma saída de ¥967.419 milhões, dominada por ¥586.600 milhões de amortização de empréstimos bancários de longo prazo e uma redução de ¥269.796 milhões nos de curto prazo. O caixa encerrou em ¥4.490.477 milhões.

As projeções ficaram sem revisão. Para o exercício completo encerrado em dezembro de 2026, a Rakuten mira um crescimento de receita consolidada na casa alta de um dígito ante o exercício 12/2025 e pretende permanecer no azul no nível operacional Non-GAAP, além de tornar positivos o lucro antes de impostos e o lucro do exercício. Nenhuma meta numérica é publicada e nenhum dividendo foi decidido para o exercício 12/2026 — o dividendo anual do exercício 12/2025 foi de ¥0,00. A companhia informou não haver eventos subsequentes relevantes, mas uma operação já está datada no calendário: com efeito em 1º de outubro de 2026, a Rakuten reorganizará seus negócios de fintech, com o Rakuten Bank atuando como controladora na entrega de ações do Rakuten Card e da Rakuten Securities Holdings. A direção espera que a estrutura torne a captação mais flexível e mais barata e reforce o marketing cruzado e o desenho de produtos sobre a base de clientes pessoa física, mas sinalizou que custos relacionados à reorganização serão contabilizados no terceiro trimestre, com as sinergias visadas apenas a partir do quarto. O impacto financeiro não foi quantificado. As ações emitidas somavam 2.181.203.900 ao fim do período, ante 2.169.972.100 no fechamento anterior.

Rakuten Group, Inc. — Números-chave do 1º semestre do exercício 12/2026 (IFRS, consolidado, seis meses até 30 de junho)
Indicador1S 12/20261S 12/2025Var. anual
Receita (¥ bilhões)1.309,051.159,07+12,9%
Lucro operacional Non-GAAP (¥ bilhões)78,3319,75+296,6%
Lucro / prejuízo operacional IFRS (¥ bilhões)50,44−6,61Ao lucro
EBITDA (¥ bilhões)224,06183,09+22,4%
Lucro / prejuízo antes de impostos (¥ bilhões)17,88−66,25Ao lucro
Lucro / prejuízo do período (¥ bilhões)25,43−101,96Ao lucro
Prejuízo atrib. aos proprietários da controladora (¥ bilhões)−10,94−124,44Prejuízo menor
Prejuízo básico por ação (¥)−5,03−57,64Prejuízo menor
Resultado abrangente total (¥ bilhões)87,83−95,53Ao lucro
Ativo total (¥ bilhões, vs 31 dez. 2025)31.135,9328.804,40+8,1%
Patrimônio líquido total (¥ bilhões, vs 31 dez. 2025)1.318,221.354,23−2,7%
Rakuten Group, Inc. — Resultados por segmento no 1S 12/2026 (lucro de segmento Non-GAAP, após contribuição do ecossistema móvel)
SegmentoReceita (¥ bilhões)Var. anualResultado do segmento (¥ bilhões)Ano anterior (¥ bilhões)
Internet Services655,76+4,1%44,2326,46
FinTech570,75+25,1%127,7186,96
Móvel252,54+13,3%−71,08−88,46
Total dos segmentos (antes de eliminações)1.479,05+13,0%100,8624,96
Consolidado (após eliminações)1.309,05+12,9%78,3319,75

A JapanStockPulse fornece conteúdo apenas informativo e não constitui aconselhamento de investimento. Os números provêm do comunicado de resultados publicado pela empresa e podem estar sujeitos a revisão posterior.